Política audiovisual - TVs querem evitar que teles façam comunicação social

Esta semana um grupo de 18 pessoas, entre elas os principais executivos e empresários das grandes empresas do setor audiovisual do Brasil, entregou ao Ministério da Cultura uma contra-proposta ao projeto que cria a Ancinav. Nessa contra-proposta, curiosamente, não há nenhuma blindagem contra a entrada das teles no setor audiovisual, o que é um aparente paradoxo, já que esse é o principal medo da Globo, manifestado inclusive publicamente. E a Globo participou da elaboração do contra-projeto.

A explicação extra-oficial para esse paradoxo, vinda de umafonte que participou da elaboração do documento, é a seguinte: legislar sobre a presença das empresas de telecomunicações no mercado audiovisual é, de alguma maneira, legitimar que essas empresas teriam o direito a prestar serviços de comunicação social. As TVs em geral, e a Globo especificamente, entendem que a Constituição não permite a empresas de telecomunicações a exploração da comunicação social. Portanto, o melhor é nem tocar no assunto em lei. Por isso o contra-projeto alternativo entregue ao MinC não fala nada sobre isso. O bombardeio contra a entrada das teles no setor audiovisual deve vir depois, com o argumento da inconstitucionalidade.

Informação: Sulrádio/ Tela Viva News

Abert divulgou nota afirmando que a ordem de suspender a exibição de Casa dos Artistas é censura

A Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV divulgou nota ontem afirmando que a ordem de suspender a exibição de "Casa dos Artistas" é censura. O "reality show" do SBT foi tirado do ar anteontem por determinação da 2ª Vara Federal de Guarulhos, que puniu a exibição de cenas em que os participantes simularam posições sexuais.

Veja a nota:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão vem manifestar seu repúdio à decisão da Juíza da 2ª Vara Federal de Guarulhos que, a pedido do Ministério Público Federal, suspendeu na noite de ontem a exibição de um programa do SBT. Tal decisão viola as Liberdades de Expressão e Informação consagradas pela Constituição Federal.

A duras penas, a sociedade brasileira baniu de nossa legislação a prática da censura. Diz a Constituição que é "vedada toda e qualquer forma de censura de natureza política, ideológica e artística" e que nem mesmo a lei poderá criar embaraços a tais liberdades. O que se espera do Poder Judiciário, como guardião da Justiça, é que faça cumprir a lei, rechaçando qualquer tentativa de violação dos citados princípios constitucionais.

Sejam quais forem as razões que motivaram a decisão judicial, nada justifica a violência cometida. A lei faculta a todos aqueles que se julgarem ofendidos pela programação das emissoras de televisão as medidas judiciais para buscar a reparação dos danos eventualmente causados. O que não pode se admitir é a prévia proibição de um programa. O ato é de censura.

Atitudes como a em questão contrastam com o estágio de amadurecimento de nossa democracia, ainda que cometidas com o falso pretexto de defender a sociedade.

Informação: Sulrádio/ Folha de São Pulo/ ABERT

Televisão por Demanda do Cliente

A indústria de mídia vem prometendo VOD (Vídeo on Demand) por mais de uma década. Em 1994, a Time Warner investiu no mínimo US$ 100 milhões um experimento de TV interativa em Orlando (na Flórida). Durante dois anos 4.000 residências servidas por TV a cabo, desfrutando centenas de canais (mais de 100 filmes disponíveis) e serviços bancários e de encomenda de pizzas, on-line, resultou num decepcionante fracasso por falta de interesse dos participantes. A Time Warner encerrou a experiência em 1977 alegando que a tecnologia não estava pronta para o mercado. Mas, desde então inovações foram se intrometendo aos poucos nos consumidores, como os serviços de pague-para-ver (pay-per-view) e a televisão via satélites com oferta de centenas de canais.

Por que então o VOD está acontecendo agora?
Há diversas razões. Algumas técnicas como explicitado no final deste artigo, mas a melhor resposta é a penetração da banda larga via linhas telefônicas convencionais e a cabodifusão (TV a cabo), somente agora atingindo patamares de qualidades aceitáveis que tornam o serviço comercialmente atrativo.
Segundo o IDC, a quantidade de residências com acesso em banda larga a cabo crescerá de 17% do atual nível para 36% em 2008, enquanto que o grupo de pesquisas tecnológicas In-Sat/MDR, do Arizona (EUA), prevê um crescimento mundial, no acesso a serviços digitais via banda larga, dos atuais 5,2 milhões de assinantes para 42 milhões em 2008.

Na Europa o VOD está tendo um crescimento muito rápido com a adesão inclusive das grandes empresas de telecomunicações na oferta do serviço, como é o caso da France Telecom, que associada a empresas de televisão oferece VOD via DSL, isto é, através de sua rede de cabos convencional.

Mas, apesar dos progressos, Jan Hein Bakkers, analista senior da IDC, diz com muita propriedade: “Se a banda larga emigrar para o mercado de massa, ela tem de ir para a TV”. Segundo ele, num futuro previsível, a indústria de aluguel e vendas de DVD e fitas VHS constituirão um obstáculo formidável ao VOD. Ver filmes e programas de variedades na tela do monitor de computador não constitui opção agradável quando comparada com um televisor.
Um outro obstáculo ponderável é o fato da indústria de DVD obter os últimos filmes de Hollywood cerca de seis meses antes de eles serem liberados para o VOD ou mesmo para a TV paga. Naturalmente, sempre haverá a possibilidade de negociações a respeito, mas não serão fáceis: a indústria de aluguel de DVD e VHS movimenta quase US$ 50 bilhões e se sente muito confortável e segura com o status quo.

Apesar das barreiras, o VOD vem com força, pois as empresas telefônicas vão investir pesado para concorrer com a anunciada invasão das operadoras de TV a cabo no campo da telefonia. A tecnologia DSLAM (Digital Subscriber Line Access Multiplexer, pronuncie “di islam”) permite que as operadoras telefônicas utilizem suas redes de cobre convencionais pra transmissão de sinais de televisão sem necessidade de implantar novas redes especiais, como de fibras ópticas.

Resumo do artigo de William Boston, na revista Time Europe, de 27/09/04, pág. 61 a 63.

Nota da QUADRANTE:

Um fator que ganha importância no futuro do VOD é o desenvolvimento dos servidores de vídeos, que fornecem conteúdos complementares a oferta de filmes. As empresas de televisão, bem como outras apenas produtoras de conteúdos, mostram desenvoltura e competitividade e ganham espaço. Um bom exemplo no mercado brasileiro é a Globo Media Center, um impressionante complexo de máquinas, robôs e especialistas que tornam possível aos internautas acessar a qualquer hora a programação global na tela do PC. (veja mais na revista Info, out/04, pág. 44e 45).

Informação Sulrádio/ QUADRANTE - RTE 35

Candidatos mudam estratégias em rádio e TV

Os programas eleitorais gratuitos de rádio e televisão do 2º turno para prefeito, em Porto Alegre, começarão no dia 13. Cada um dos candidatos terá direito a 20 minutos diários, divididos em dois blocos de dez minutos. O PT de Raul Pont irá mudar o enfoque apresentado na primeira fase da campanha. A finalidade será identificar o adversário José Fogaça, do PPS, com os governos estaduais anteriores e ao atual. A linha de comunicação de Fogaça deverá permanecer a mesma, com ênfase aos projetos para Porto Alegre e sem ataques pessoais ao adversário ou ao governo Lula.

Para o coordenador de rádio e TV da Frente Popular, Luís Felipe Nelsis, o aumento do tempo de seis minutos e 20 segundos para dez minutos por programa e a redução do número de candidatos deverá melhorar o entendimento das propostas. "As diferenças entre os concorrentes também ficarão mais nítidas para o eleitor", apontou. Conforme ressaltou, a composição política estruturada por Fogaça reforça a volta da polaridade registrada em anos anteriores no Estado. A propaganda eleitoral de Raul ressaltará ainda as diferenças de trajetórias políticas e de vida entre ele e o candidato do PPS. "No 1º turno, prestamos contas à comunidade de nossas realizações. Agora, vamos apresentar aos eleitores a Porto Alegre do futuro", adiantou Nelsis.

Fábio Bernardi, coordenador de marketing da campanha de Fogaça, afirmou que o aumento expressivo dos programas do candidato, de dois minutos e 52 segundos no 1º turno, para 10 minutos nesta segunda etapa, possibilitará maior detalhamento das propostas defendidas pelo candidato.

Informação: Sulrádio/ Correio do Povo

Comissão vai discutir Conselho Federal de Jornalismo

A criação do Conselho Federal de Jornalismo, prevista no Projeto de Lei 3985/04 do Poder Executivo, será discutida, em audiência pública, pela Comissão do Trabalho, de Administração e Serviço Público. A reunião, que deverá ser realizada no próximo dia 9 de novembro, às 14 horas, atende solicitação dos deputados Daniel Almeida (PCdoB-BA) e Dra. Clair (PT-PR), cujos requerimentos foram aprovados pela comissão na última terça-feira. Serão convidados para audiência pública representantes do Supremo Tribunal Federal (STF); do Ministério do Trabalho e Emprego; da Federação Nacional dos Jornalistas; da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Universidade de Brasília (UnB).

A deputada Clair explicou que a audiência pública é importante em razão da polêmica em torno da proposta do Executivo.


Informação: Sulrádio/ AESP

Diretores de afiliadas do SBT de todo o país reivindicam um telejornal nacional

Em um feito inédito, donos e diretores de afiliadas do SBT de todo o país baixaram anteontem na sede da emissora, em Osasco, para cobrar explicações sobre os rumos da rede, reivindicar um telejornal nacional em horário nobre e reclamar da queda de receitas.

A reunião contou com "celebridades da radiodifusão", como o ex-governador Orestes Quércia (dono das afiliadas de Campinas e Santos) e João Paes Mendonça (SBT de Recife). Os afiliados queriam um encontro com Silvio Santos. Foram atendidos pelo presidente do grupo, Luiz Sandoval, e pelos diretores da emissora.

O SBT atendeu parcialmente às reivindicações. Seus executivos explicaram o processo de reestruturação (que enxugou seu quadro de funcionários à metade em quatro anos) e fizeram uma explanação otimista do futuro. O SBT também abriu um "canal direto" com os donos das afiliadas, que passarão a ser atendidos pelo consultor Eugenio Lopez. Haverá ainda reuniões periódicas entre eles.

Não foi apresentada solução, no entanto, para as principais reivindicações.

Informação: Sulrádio/ Folha de São Paulo

Tourinho quer mudanças no projeto das agências reguladoras

O senador RodolphoTourinho (PFL-BA) alertou nesta quinta-feira (7) para a necessidade de alteração no texto do projeto do governo que disciplina a atuação das agências reguladoras, incluindo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A proposta está em tramitação na Câmara dos Deputados e, segundo afirmou o senador, é fundamental que alguns pontos do texto sejam alterados para facilitar sua aprovação no Congresso. Tourinho quer suprimir o dispositivo sobre os contratos de gestão das agências reguladoras que prevê que o Ministério de Minas e Energia fixará metas a serem atingidas pelas agências. No caso do não cumprimento dessas metas, a agência sofrerá corte orçamentário por parte do governo. Segundo o senador, tal determinação fere o princípio de autonomia das agências, comprometendo suas finalidades.

Outro dispositivo que o senador pretende suprimir diz respeito à criação de uma ouvidoria das agências vinculada à Presidência da República. A seu ver, não há necessidade de um novo órgão institucional para essa atribuição, uma vez que ela, por lei, é desempenhada no âmbito de cada agência, sem subordinar a atribuição a um órgão paralelo.

Tourinho se disse favorável à manutenção no texto de outro ponto considerado polêmico, que se refere à transferência do poder de concessão hoje atribuído às agências para os ministérios. Conforme sustentou, no caso do setor elétrico, somente o Ministério de Minas e Energia poderia determinar a destinação das concessões, atendendo à experiência técnica inerente às suas responsabilidades.

O senador também alertou, em seu discurso, para a falta de cumprimento por parte do governo de acordos firmados no Congresso com os partidos de oposição, objetivando aumentar os investimentos da iniciativa privada no setor elétrico. Segundo ele, o governo não está investindo o que deve, descumprindo também as determinações estabelecidas na lei do novo modelo do sistema.

- Os investimentos do governo caíram pela metade nos últimos 14 anos. Em 80, cerca de R$ 12 bilhões foram aplicados, contra R$ 6 bilhões verificados nos anos 90 e isso afasta a confiança dos investidores particulares - finalizou.

Informação: Sulrádio/ AESP

Rádio – Enfim, a comemoração!

O Rádio , parece-me, tem muito a comemorar. Se não for ainda pelo destaque na concentração dos investimentos publicitários de todo o mercado, que seja pelo menos pela crescente presença de especνficas marcas, até então distantes do universo de facilidades hoje proporcionadas pelo rádio. Se não for pelos constantes investimentos dos grandes empresαrios, que seja então pelo reconhecimento do privilegiado universo ouvinte, cada vez mais fiel a suas grifes sonoras, potencializando resultados de diversas ações publicitárias do rádio. Se não for pela dinâmica da sua programação retratando o próprio dinamismo do dia-dia do ouvinte, que seja pela sua capacidade de ousar, criando nobres e importantes campanhas, tanto sociais como mercadológicas, dignificando e aperfeiçoando ainda mais a prestação de serviços, indiscutivelmente a maior propriedade do rádio. E se não for pelo maior equilíbrio da relação custo/benefício, invariavelmente garantindo a maior rentabilidade, que seja pela alternativa do menor custo absoluto da mídia. Se não for pela fidelidade com que retrata os hábitos e costumes das comunidades, que seja pelo seu poder de cobertura local, integrando as marcas do cotidiano dos ouvintes através da programação e dos grandes e eficazes comunicadores do rádio.

Enfim, se não for pelos fortes, tradicionais e imbatíveis valores do meio, enquanto canal de comunicação publicitário, que seja em reconhecimento o atual movimento realizado pelo meio e pelos profissionais do rádio.

Os trabalhos e os movimentos manifestados pelo rádio foram e são diversos. Em todos, o objetivo maior do “re”, do resgate ao re-posicionamento.
Liderado pelo Grupo dos Profissionais do Radio (GPR), o meio já adquiriu, a meu ver, uma nova dimensão em todo o mercado publicitário.

Se antes o meio era, equivocadamente, preterido ou mesmo conceituado apenas como complemento nas estratégias das grandes marcas, hoje,
mesmo diante de ousados objetivos mercadológicos, exige, pelo menos, consideração.

E com razão. Seus nϊmeros, sua forηa, sua eficαcia, sua eficiência, sua flexibilidade, sua dimensão e seus resultados são positivos o suficiente para fortalecer qualquer argumentação em seu favor.
Embalado por pesquisas, por eficazes apresentaηυes, por eficientes campanhas e, evidentemente, por imbatνveis resultados, o rαdio esta, acima de tudo, resgatando a sua prσpria força.

Mesmo diante da percepção da importância do valor tιcnico, associado a eficαcia e a eficiência, muitas vezes o rαdio era desafiado pela intensa competição da mídia, notadamente pelo dinamismo das propostas dos demais meios, das novas plataformas, das novidades embaladas por novas modalidades comerciais.

No entanto, percebo que o rádio, motivado pelo seu vitorioso movimento, decidiu encarar a concorrência de frente.
E o resultado positivo o encoraja para o melhor.

Aos românticos profissionais que sempre se referiram ao meio com o sabor da nostalgia, boas novas. O rádio estα alimentando a sua competição de mercado com as mesmas armas que os demais meios de comunicação. E ampliando a sua participação de mercado.

Aos privilegiados profissionais que já desfrutaram da eficácia do rádio no passado e por alguma razão alteraram estratégias atraídos por alternativas inovadoras, reflitam. O rádio está potencializando resultados em diversos formatos, modalidades e momentos. E propondo, como sempre, positiva sinergia com os demais meios envolvidos na mesma campanha.

Enfim, aos resistentes profissionais, especialmente aqueles que julgam que a conquista da eficαcia de suas campanhas só pode ser entregue pelas plataformas modernas, revolucionαrias, interativas, localizadas e integradas a linguagem do universo consumidor, reconsiderem o rádio.
E ele o meio que, alιm de garantir a você a informação, o entretenimento, a diversão, melhor trabalhara para você e para a sua marca.

TSE editou a Resolução nº 21.934, atendendo a solicitação da ABERT

O TSE editou a Resolução nº 21.934, atendendo a solicitação da ABERT, incluindo mais um parágrafo ao artigo 31 da Resolução nº 21.610, que "dispõe sobre a propaganda eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral, nas eleições municipais de 2004".

O § 3º, incluído no artigo 31, tem a seguinte redação:

"§ 3º Ainda que não haja segundo turno nos municípios sede das emissoras geradoras, os partidos poderão formular o pedido a que se refere o caput deste artigo dez por cento do tempo que seria destinado, caso ocorresse segundo turno na sede das geradoras".

Informaçâo: Sulrádio/ ABERT

Este senhor manda na Globo

O nome é de artista: Octávio Florisbal. Ou pelo menos de personagem das novelas de Sílvio de Abreu. Mas o homem em questão, figura platinada dos quadros da TV Globo, prefere mesmo atuar nos bastidores. É ali, na área administrativa, que ele sempre mostrou seu talento, primeiro no departamento comercial da emissora, onde permaneceu por longos 22 anos, e agora, recém-empossado diretor-geral da TV Globo. Florisbal, de fato, está no cargo interinamente há um ano, desde que Marluce Dias da Silva teve de se afastar por problemas de saúde. Mas há cerca de 30 dias a família lhe concedeu oficialmente o comando da principal empresa das Organizações. O novo diretor-geral, um paulistano de 63 anos, desfruta de grande prestígio no clã Marinho. À frente da Globo ele bateu recordes de audiência, reverteu um viés de queda de faturamento e fez a emissora se distanciar da concorrência. “Só estou dando continuidade ao bom trabalho de Marluce”, diz o atual manda-chuva da principal rede de TV do País.

Pode até ser que o brilho de Florisbal à frente da Globo resida na continuidade, mas o Ibope é impressionante. O executivo subiu a média histórica de audiência entre as 7 e 24 horas, que oscilava entre 20 e 21 pontos, o que significava pouco mais de 50% dos aparelhos ligados. No ano passado, esse índice já pulou para 23 pontos de audiência ou 55% dos televisores em funcionamento. Mas foi em 2004 que a gestão Florisbal se fez presente. A média deste ano deverá bater os inéditos 24 pontos. Em outras palavras, significa que, até dezembro, de cada 10 aparelhos ligados, 5,8 estarão sintonizados na Globo. Um recorde. O bolo publicitário também arranca suspiros dos Marinho. Com um faturamento ao redor de R$ 5 bilhões por ano, a Globo vai abocanhar 75% dos quase R$ 7 bilhões que deverá ser despejado em publicidade na tevê aberta até o final de 2004.

Mas o que Florisbal fez para trazer bons ventos à Rede Globo? Reforçou na grade, por exemplo, a presença de séries nacionais com baixo custo e alto ibope junto aos telespectadores. Se A Grande Família mostrou-se sucesso absoluto nos últimos anos, por que não repetir a fórmula? Vieram então Os Normais, a Diarista, Sob Nova Direção. Outra medida foi tentar resgatar o padrão Globo de qualidade. Na gestão Marluce, houve um período em que os índices de audiência eram perseguidos a qualquer preço. Quem não se lembra, por exemplo, da exploração do deficiente Latininho no programa do Faustão? Na era Florisbal, não mais.

Por conta das medidas de ética, das alterações na grade e da ajuda do ambiente econômico – que irrigou novamente os acordos de publicidade – a Globo conseguiu bater recordes de audiência e, conseqüentemente, de venda de anúncios. Conseguiu até alongar prazos para a amortização das dívidas do grupo (R$ 4 bilhões). A TV Globo, avalista das demais empresas do conglomerado, respira aliviada. Em 30 dias, Florisbal garante que haverá um acerto positivo com todos os credores.

O executivo quer mais. “Pretendo elevar a receita em 20% este ano e se a economia ajudar em 2005, acrescentar outros 10% ao faturamento registrado em 2004”, diz Florisbal. Ele adianta que não vai mexer na grade de programação no próximo ano, mas pretende adaptar a emissora às novas mídias, como Internet e TV Interativa. No mais, confia no trabalho em equipe. Florisbal não é do tipo centralizador. Ouve mais do que fala e anota tudo, rigorosamente tudo o que interessa em sua área de atividade, em uma inseparável agenda de couro. “Ele foi meu grande parceiro à época. Tenho certeza que vai otimizar a produção e o comercial da Globo”, diz José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. “E o melhor é que vai fazer tudo isso sem ferir nenhum princípio ético”.

Informaçâo: Sulrádio/ Isto É Dinheiro