Ministro também critica as empresas de telefonia celular e a lentidão da Anatel em promover mudanças no setor
Titular das Comunicações diz que pasta passará a controlar a programação transmitida do exterior pelas TVs por assinatura via satélite
ELVIRA LOBATO
ENVIADA ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS
Em discurso na abertura do 8º Futurecom -seminário internacional de telecomunicações, que acontece até amanhã em Florianópolis-, o ministro Hélio Costa (Comunicações) acusou as concessionárias de telefonia fixa de não promover a universalização do serviço, criticou as empresas de telefonia celular e a lentidão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em promover mudanças. Para executivos e empresários que estavam na platéia, só os radiodifusores foram poupados pela metralhadora de Costa, que chegou com o discurso pronto.
Costa disse que as teles fixas tiveram aumento acumulado de 270%, acima da inflação, no preço da assinatura básica desde a privatização da Telebrás, em 1998, e citou os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios, do IBGE) que mostram que há mais residências só com telefone celular do que residências só com telefone fixo.
Costa anunciou que o ministério passará a controlar a programação transmitida do exterior pelas TVs por assinatura via satélite. O anúncio acontece no momento em que a Telefônica pressiona para entrar nesse mercado.
O projeto da Telefônica prevê que os canais serão transmitidos a partir do Peru, onde a empresa já presta serviço de TV paga. O presidente do grupo no Brasil, Fernando Xavier Ferreira, disse que a empresa iniciará neste mês as transmissões experimentais no Brasil de TV via satélite.
As operadoras de telefonia celular foram criticadas por não levarem o sinal a 42% dos municípios, conforme mostrou edição da Folha na semana passada. O ministro disse que as teles fixas transferem R$ 6 bilhões por ano para as operadoras do serviço móvel por causa das ligações de telefones fixos para celulares e considerou injusto o modelo atual de remuneração por uso de redes que, na avaliação dele, favorece as móveis.
Lembrou que, quando o assinante liga do celular para um telefone fixo, as operadoras móveis pagam tarifa de R$ 0,03 por minuto às fixas. Mas, quando o sentido é inverso, as fixas pagam às móveis R$ 0,40 por minuto (12 vezes mais). Segundo Costa, só de ligações feitas a partir de telefones públicos há transferência de R$ 1 bilhão para as operadoras móveis.
As tarifas de uso de rede entre operadoras fixas e móveis é motivo de discussão entre elas há vários anos. Está previsto, pela Anatel, que em 2008 a tarifa será recalculada pelo custo. Costa disse que a solução para o problema está pendente há vários anos na Anatel.
Via satélite
O ministro disse que baixará uma portaria na semana que vem para regulamentar a programação das TVs por assinatura via satélite. Esse serviço é conhecido pela sigla DTH (direct-to-home). No Brasil, a Sky (da qual as Organizações Globo são acionistas) tem, praticamente monopólio, do mercado.
Executivos das Organizações Globo ouvidos pela Folha disseram que desconheciam a intenção de Costa de regulamentar a programação, e que a Globo não pediu mudanças devido à entrada da Telefônica no setor. Costa disse que não existe qualquer regulamentação para o DTH no Brasil ("nem lei, nem portaria, ficou um buraco") e citou os EUA como modelo que pretende seguir. "Eles rastreiam tudo. A Al Jazeera não transmite diretamente para os EUA. Passa tudo antes por um órgão do governo".
Telefônica diz que levar telefones fixos a todas as moradias é tarefa do Estado
DA ENVIADA ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS
Embora evitassem confronto com o ministro das Comunicações, as empresas de telefonia responderam às críticas feitas por Hélio Costa na abertura do Futurecom. O presidente do grupo Telefônica, Fernando Xavier Ferreira, afirmou que levar o telefone fixo a 100% das moradias é responsabilidade do governo. Disse que é para isso que as operadoras recolhem 1% de seu faturamento anual para o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), criado na privatização da Telebrás.
Segundo Xavier Ferreira, o Fust já arrecadou cerca de R$ 5 bilhões, mas o dinheiro não está sendo aplicado no que foi proposto. Desde o governo de FHC (1995-2002), quando foi criado o fundo, os recursos são usados pelo Tesouro para garantir o superávit primário.
O presidente da Telefônica disse que o número de linhas fixas existentes no Estado de São Paulo corresponde a um índice de penetração de 33% que, segundo ele, está próximo ao de Portugal (42%) e da Espanha (47%). Alegou que a universalização da telefonia fixa é feita não só pelo acesso individual nas casas, mas por postos de atendimento público e que todas as localidades com mais de 100 habitantes contam com um ponto de acesso para ligações locais e de longa distância.
As operadoras de telefonia celular também reagiram às críticas de Costa de que as concessionárias de telefonia fixa transferem R$ 6 bilhões por ano às operadoras móveis.
O presidente da TIM Brasil, Mário Cesar Pereira de Araújo, disse que o ministro manifestou uma posição pessoal e que certamente mudará de opinião quando receber o relatório dos grupos de trabalho que, segundo Costa, serão formados para estudar as mudanças que ele pretende implementar. (EL)
Agência quer empresas com plano de metas de competição
DA ENVIADA ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS
Depois das metas de universalização e das metas de qualidade, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) prepara o Plano Geral de Metas de Competição para o setor de telecomunicações, a ser colocado em consulta pública ainda neste ano. É uma tentativa de conciliar interesses, até agora divergentes, das empresas telefônicas, radiodifusores, provedores de acesso à internet e televisão por assinatura no cenário de convergência das mídias.
O presidente da Anatel, Plínio Aguiar Júnior, disse que o grande desafio para promover a competição é a posse das redes de telecomunicações pelas companhias telefônicas, uma herança do sistema estatal que não se modificou após a privatização. "A telefonia local deixou de ser o grande negócio de cem anos atrás, mas ainda representa um ativo de valor inestimável, por onde trafegam a internet, a banda larga e a multimídia. Esse macrossistema precisa estar à disposição de todos os prestadores de serviços."A proposta da agência é separar a rede física das teles dos demais serviços que elas prestam, baseada na experiência da British Telecom.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que acompanho a apresentação da Anatel, mostrou-se cético, mas afirmou que vai esperar que a agência dê mais detalhes do modelo para se manifestar.
O conselheiro da Anatel Pedro Jaime Ziller defende a cisão estrutural das companhias telefônicas, que seriam divididas em duas: uma seria dona da rede de telefonia e a outra prestaria serviços ao público e utilizaria a rede nas mesmas condições dos outros competidores.
A sugestão da Anatel foi prontamente rechaçada pelas concessionárias do serviço fixo local. O presidente da Telemar, Luiz Eduardo Falco, disse que o que é bom para o Reino Unido não é bom para o Brasil, referindo-se ao fato de a Anatel usar a British Telecom como modelo.
O presidente do grupo Telefônica, Fernando Xavier Ferreira, também desdenhou da proposta. Disse que nenhuma outra operadora, além da British, adotou tal modelo, o que o leva a concluir que não dá certo.
A Brasil Telecom, terceira maior concessionária do serviço fixo local, afirmou ter contratado um consultor inglês para assessorá-la em um futuro posicionamento. (EL)
Por economia, Vivo propõe uso de rede única
DA ENVIADA A FLORIANÓPOLIS
O presidente da Vivo, Roberto Lima, propôs ontem que as operadoras de telefonia celular utilizem a mesma rede física para economizar custos e diminuir o impacto ambiental da proliferação de antenas. Segundo Lima, a cobertura do sinal de celular deixou de ser um diferencial relevante na competição entre as empresas, na medida em que todas alcançaram praticamente o mesmo grau de cobertura nos centros urbanos.
Lima propôs que as operadoras adotem a estratégia usada por grandes bancos, que criaram o Banco 24 Horas, para unificar a rede de auto-atendimento nos caixas eletrônicos.
Lembrou também a iniciativa dos bancos que criaram o Visanet (para operações de cartões de crédito) e dos que criaram a RedeCard.
As instituições colocaram seus ativos em uma empresa, da qual se tornaram acionistas. (EL)
Informação: Abert/ Folha de São Paulo - Dinheiro – Ministério das Comunicações
Partidos acertam dia 11 como data de reinício da campanha no rádio e TV
Juliano Basile
04/10/2006
Os representantes das candidaturas Lula e Alckmin junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegaram a um acordo na noite de ontem e definiram o dia 11 como data para o início da campanha do segundo turno na televisão e no rádio. O TSE autorizou, na noite de segunda-feira passada, que a campanha fosse reiniciada a partir de quinta-feira. Mas, os partidos resolveram adiar sob a justificativa de que precisam traçar melhor as estratégias para o segundo turno.
"Precisamos fazer as alianças e preparar os programas", justificou o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner. "Além disso, é sempre bom um descanso", ironizou. Wagner disse a campanha mostrará as diferenças entre os governos Lula e FHC. Segundo ele, são dois caminhos diferentes de governar. "E acredito que o nosso teve mais êxito", completou o governador eleito durante conversa com jornalistas na entrada do TSE.
José Eduardo Alckmin, advogado e primo do candidato Geraldo Alckmin, justificou o adiamento dizendo que é necessário reprogramar a campanha. "Os marqueteiros dizem que campanha é que nem novela: tem que fazer o enredo", comentou o advogado.
Eduardo Alckmin chegou inicialmente com a proposta de iniciar a campanha no dia 12. Em seguida, o advogado José Antonio Dias Toffoli, que representa a campanha de reeleição do presidente Lula, chegou com outra proposta indicando o dia 11, pois 12 de outubro é feriado. Diplomáticos, os advogados conversaram brevemente e, em seguida, disseram à imprensa que o dia 11 estava ok. Ambos negaram que a alteração da data tenha razões econômicas, como eventuais dívidas de campanha ou a suposta tentativa de economizar dinheiro pago aos respectivos marqueteiros.
O TSE terá de aprovar resolução fixando essa nova data. O presidente da Corte, ministro Marco Aurélio Mello, gostaria que a campanha começasse na quinta-feira por motivos formais. É que o tribunal dá o prazo de 48 horas depois da proclamação do resultado do primeiro turno para o início da campanha do segundo. Mas, esse prazo pode ser estendido, segundo a Lei Eleitoral até o dia 16.
A campanha será veiculada até o dia 27, a antevéspera do segundo turno, marcado para 29 de outubro.
Ontem, o corregedor-geral eleitoral, ministro César Asfor Rocha, afirmou que as eleições deste ano foram "marcadas pela transparência e por uma redução dos gastos de campanha que pode ter chegado a 40% em relação a 2002". A principal razão dessa queda, segundo ele, foi a Lei 11.300/06, aprovada em abril pelo Congresso, onde ficou conhecida como "minirreforma eleitoral".
Apesar de ressaltar que o TSE ainda não fechou os números das despesas dos candidatos, ele acredita que o resultado ficará bem abaixo dos outros anos. O cálculo definitivo dos gastos só será feito quando o TSE receber todas as prestações de contas dos candidatos, o que, de acordo com as regras atuais, deve ocorrer até 30 dias após as eleições. A Lei 11.300/06 obrigou os partidos e candidatos a apresentarem duas parciais de despesas, em agosto e setembro, antes de divulgarem as suas contas finais. Entre os dispositivos da nova lei que forçaram a redução das despesas de campanha, segundo o corregedor-geral, estão os que proíbem os showmícios, a distribuição de brindes (camisetas, bonés, chaveiros, canetas, entre outros) e o uso de outdoors.
Informação: Abert/ Valor Econômico - Política –Eleições
Conexão com internet já está normalizada na sede da AGERT
Nos dias 2 e 3 de outubro, segunda e terça-feira, a sede da AGERT ficou sem conexão com a internet, devido à problemas com nosso provedor. Este contratempo impossibilitou o recebimento de e-mails enviados nestas datas. Solicitamos que àquelas pessoas que tentaram entrar em contato conosco através do correio eletrônico refaçam seus contatos. A AGERT pede desculpas pelo transtorno e agradece a compreensão de todos os parceiros e associados.
TRE define data de início da propaganda eleitoral
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já definiu a data do início do horário eleitoral gratuito. As propagandas partidárias começam na próxima segunda-feira, dia 9 de outubro. No rádio, das 7h20min às 7h40min e das 12h20 às 12h40min, e na TV, das 13h20min às 13h40min e das 20h50min às 21h10min, os candidatos ao Governo do Estado poderão falar aos eleitores.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decide quando começa a propaganda eleitoral para os candidatos à Presidência, ainda não definiu a nova data.
Transmissões via satélite terão mudanças
O Ministério das Comunicações baixará nos próximos dias portaria estabelecendo controle governamental sobre a programação das emissoras de TV via satélite que operam no país - as DTH - que transmitem o sinal diretamente para os aparelhos de TV. O anúncio foi feito ontem pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, em Florianópolis, durante o Futurecom, seminário que reúne empresas de tecnologia em telecomunicação. Costa não especificou que controles o governo faria, mas disse que se quer saber quais conteúdos estão sendo transmitidos por essas emissoras.
Informação: ABERT / Zero Hora - Redação
Entidades preparam documento com propostas ao setor de telecomunicações para os presidenciáveis
FLORIANÓPLIS- Entidades do setor de telecomunicações preparam um documento para entregar, nas próximas semanas, aos dois presidenciáveis com propostas para o desenvolvimento do setor. A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados estimulou o recolhimento de propostas por parte das entidades, em debate promovido nesta tarde que antecedeu a abertura oficial da Futurecom 2006. Entre as propostas, estão a criação de uma política nacional de banda larga, o fortalecimento institucional do setor - com a recuperação da independência da agência reguladora -, o estímulo a uma regulamentação que contemple a convergência e a criação de uma política industrial para o setor. Segundo o deputado reeleito Julio Semeghini (PSDB-SP), "não adianta desonerar a fábrica de hardware", sem contemplar o segmento de software, que no caso das telecomunicações, está embarcado em diversos equipamentos.Ele acrescentou que "a MP do Bem contemplou uma parte do processo", especialmente na produção de hardwares voltados a exportação, mas ainda falta incentivar a inovação e a formação de mão-de-obra.Acriação do documento, que será apresentado tanto aos responsáveis pelo programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como de Geraldo Alckmin (PSDB), começou a ser idealizada em um debate no dia 12 de setembro, em São Paulo, com a presença de várias entidades do setor.As linhas gerais voltaram a ser discutidas hoje, para que novas sugestões e ajustes sejam acrescentadas ao documento final, que deverá ficar pronto na próxima semana. O documento, entitulado "As telecomunicações e o próximo governo" visa fomentar a prestação de mais e novos serviços à população, definir novas políticas públicas e intensificar as já existentes, estimular o desenvolvimento do setor, garantir a segurança jurídica e a previsibilidade das regras e incentivar a pesquisa e o desenvolvimento nacionais.
Informação: ABERT / Valor - Redação
Atualização do Código de Ética dos Jornalistas irá à consulta pública
A atualização do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros será submetida a amplo processo de consulta na sociedade, que deve iniciar-se em dezembro. A comissão encarregada de conduzir os trabalhos já iniciou os trabalhos. A deliberação sobre possíveis alterações se dará em Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas, a realizar-se em agosto de 2007, em Vitória (ES). A comissão que trabalhará na revisão do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é composta pelo professor Francisco Karam (UFSC), especialista na questão, Carmem Pereira, representante do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), José Hipólito, representante da Comissão Nacional de Ética, Antônio Carlos Queiroz, representante do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Carmen Silva, representante da diretoria da FENAJ, e por um representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) a ser indicado. Desde o final do ano passado, várias propostas para a reformulação do código já foram apresentadas e, a partir da proposta de criação da comissão no último Congresso Nacional dos Jornalistas, ainda serão coletadas sugestões através de consulta pública e contribuições dos sindicatos. O processo de consulta pública se dará em dezembro de 2006 e janeiro de 2007. A FENAJ disponibilizará um espaço em sua página eletrônica (www.fenaj.org.br) para receber contribuições dos interessados. O cronograma de trabalho prevê, também, a realização de seminários estaduais ou regionais sobre o tema e teleconferências da comissão para a sistematização de propostas e avaliação do processo de trabalho. A proposta a ser apreciada no Congresso Extraordinário em Vitória será previamente encaminhada aos sindicatos da categoria.
Informação: ABERT / Fenaj - Redação
Hélio Costa dispara críticas ao setor de telecom na abertura do Futurecom
Florianópolis - A grande platéia formada pela nata do setor de telecomunicações não intimidou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que, como uma metralhadora giratória, disparou críticas contra o mercado em um duro discurso feito, ontem, 2, na abertura do Futurecom, maior evento da área de telecom que acontece até quinta-feira, em Florianópolis. Costa atirou na Anatel, nas operadoras fixas e móveis e até nos fabricantes, fazendo ironias em relação à Nokia, que já havia sido motivo de críticas durante o processo de escolha do padrão da TV digital. Durante o discurso, o ministro citou uma matéria feita pelo jornal britânico The Economist que o acusou de intervir na Anatel. Costa classificou a matéria de mal-feita e aproveitou para reiterar que irá intervir nas ações da agência sempre que o governo considerar que ela está extrapolando seu papel e fazendo política pública. “Quem faz a política de comunicação do governo é o governo, por meio do Minicom, com a avaliação do presidente da República e da Casa Civil. É o governo quem dá a diretriz. Será assim com o WiMAX e com o uso do DTH (TV paga via satélite)”, declarou. Sobre o DTH, o ministro disse que irá editar uma portaria regulamentando a transmissão de conteúdo pela tecnologia. A decisão do ministério, se de fator sair, virá no momento em que a Telefônica já solicitou à Anatel autorização para prestar DTH e declarou sua intenção de entrar no mercado de TV paga. Aice Costa também aproveitou para bater no Aice, o serviço de telefonia para baixa renda criado pela Anatel com os novos contratos, e defendeu o seu projeto do telefone social. “A adesão ao Aice tem sido desprezível e não vou desistir do telefone social porque não podemos deixar 27 milhões de famílias (número estimado que poderia ser beneficiado pelo telefone social) sem comunicação básica”, afirmou. VU-M Até de VU-M (valor de uso da rede móvel) o ministro falou. Criticou a transferência de recursos, por meio do pagamento da tarifa de uso de rede, da telefonia fixa para a telefonia móvel. Segundo ele, só a população de baixa renda que usa telefone público transfere cerca de R$ 1 bilhão por ano para as operadoras celulares e, se for contar toda a transferência feita das fixas para as móveis, esse valor chega a R$ 6 bilhões. Para alegria das fixas, o ministro defendeu uma democratização dessa transferência de recursos e uma alteração no modelo do setor de telecom para rever essa sistemática. “A qualquer momento uma solução sobre issotem que sair. É uma assimetria . Com o declínio do STFC, uma situação como esta tem que ser discutida”, afirmou. O ministro defendeu uma revisão do modelo do setor de telecom. Lembrou que a evolução tecnológica e a reorganização das corporações, com fusões e aquisições de empresas, têm atropelado a estrutura do modelo. Ele frisou que não há competição na telefonia fixa em função de regras pouco efetivas de compartilhamento das redes e à uma universalização centrada apenas na oferta do serviço e não no provimento de condições ao usuário para ter acesso ao serviço. Nokia A Nokia e os europeus do padrão DVB foram, mais uma vez, alvo do ministro.Costa afirmou que, em recente encontro de agências reguladoras realizado na Guatemala, no qual representantes do governo brasileiro defenderam o padrão japonês escolhido pelo país para a TV digital, aopção do Brasil foi motivo de críticas de empresas representantes do DVB. Segundo Costa, uma empresa “européia” (a Nokia) teria apresentado um vídeo durante a reunião que apontou o ministro e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff como os responsáveis pela escolha. “Tentaram nokialtiar (sic) a mim e à ministra Dilma. Mas gostaria de reafirmar que a decisão tomada foi uma decisão de governo e que tem que ser respeitada. As demais propostas de padrão para a TV digital foram vencidas tecnicamente. Essa empresa que tentou fazer descortesia na Guatemala até que tem bons telefones, só não sabe fazer documentários de TV. Um fracasso”, criticou o ministro. O ministro também não esqueceu da política. Disse que todos deveriam imaginar porque o presidente Lula não estava ali falando para a platéia (clarament pró Geraldo Alckimin). “Porque ele está neste momento azeitando as armas e preparando seus instrumentos para a nova e importante batalha que irá travar”, avisou Costa. Ele fez uma defesa do governo Lula ao dizer que nos últimos cinco anos houve uma queda nos preços de itens básicos para a população, como o arroz e o cimento. “Hoje, está sobrando mais dinheiro para comer e até para comprar celular”, ironizou.
Informação: ABERT / TeleSíntese - Cristiana Nepomuceno
Propaganda eleitoral recomeça esta semana
A propaganda eleitoral gratuita obrigatória nas emissoras de rádio e de televisão pode recomeçar já nesta semana. O reinício só pode acontecer após 48 horas da proclamação oficial dos resultados do primeiro turno pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que deve acontecer ainda nesta segunda-feira (2). Entretanto, caso haja algum imprevisto, a propaganda eleitoral tem até o próximo dia 16 para recomeçar. E tem prazo final marcado para o dia 27 (antevéspera do segundo turno das eleições).
Serão dois períodos diários de propaganda (nas rádios, às 7h e às 12h, e nas televisões, às 13h e às 20h30, horários de Brasília). Cada candidato a presidente terá dez minutos em cada um dos horários de veiculação. O mesmo tempo será concedido a cada candidato a governador nos estados que terão segundo turno. Além disso, os candidatos terão 7,5 minutos de inserções diárias.
Informação: ABERT / Agência Senado
Dez anos depois, País se destaca em tecnologia
O Brasil perdeu pontos no relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado na semana passada, caindo da 57ª para a 66ª colocação. Mas em um aspecto o País saiu-se muito bem: se fosse avaliado apenas pelo critério de prontidão para tecnologia, um dos quesitos do levantamento global, o resultado teria sido muito diferente e a avaliação não teria piorado.
Prontidão para tecnologia significa o quanto o país está atualizado em relação às mais novas tecnologias mundiais - dentre elas as de telecomunicações -, o quanto investe no setor e a rapidez com que absorve novidades.
"No Brasil, as empresas utilizam o que há de mais moderno no mundo e isso contribui para a competitividade", diz o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral - um dos responsáveis pelos dados do Brasil no relatório do Fórum. "O acesso à telefonia celular é muito grande no Brasil e isso influenciou o resultado. A internet está em crescimento constante. Tudo isso conta pontos para a competitividade do País."
O Brasil fechou o mês de agosto com 94,9 milhões de celulares, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A consultoria The Yankee Group projeta 100,8 milhões de celulares para o fim deste ano. Isso significa que há 50,8 celulares para cada 100 habitantes, ou seja, que um em cada dois brasileiros possui celular.
O Brasil também tem 14,1 milhões de usuários de internet entre seus 182 milhões de habitantes (cerca de 8% da população). Na China, são 74,7 milhões de internautas em 1,3 bilhões de habitantes (pouco mais de 5% da população).
"Essas características não nos colocam entre os top ten do mundo, mas, certamente, nos dão uma posição de destaque em relação aos países emergentes com situação econômica semelhante", diz Arruda. "O País foi muito bem nos critérios mais sofisticados de competitividade, ficando à frente dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China)."
Nos subquesitos absorção de tecnologia pelas empresas e legislação relacionada à tecnologia, o Brasil foi o 47º e 48º colocado, respectivamente. Em investimentos, foi o 38º dentre os 125 países. "Ao longo dos últimos 20 anos, o Brasil desenvolveu uma infra-estrutura muito boa para tecnologia e telecomunicações", afirma José Fernando Mattos, diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo. "Não temos problemas com internet, redes de comunicação ou telefonia. Mas , infelizmente, esta é uma das ilhas de excelência do País. Foram outros problemas que puxaram o Brasil para baixo no ranking de competitividade do Fórum."
Apesar de ter ido bem em tecnologia e nos critérios que avaliavam inovação e sofisticação dos negócios, o Brasil ficou em posições ruins em macroeconomia e instituições públicas. O País foi o penúltimo colocado no subcritério peso da máquina corporativa e o último em juros.
"Temos de continuar bem nos pontos fortes e melhorar nos fracos. Assim, certamente nos colocaremos entre os mais competitivos do mundo", diz Mattos.
Informação: ABERT / O Estado de São Paulo - Economia & Negócios – Telecomunicações
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