Projetos setoriais ainda vivem em limbo ministerial

Ficou para a próxima semana, provavelmente na quarta-feira, dia 17, a reunião entre vários ministros, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente Lula para discutir o futuro de diversos projetos que estão hoje vinculados à Casa Civil e que passam pelo setor de comunicações e inclusão digital. Os dois pontos mais relevantes para o setor são o projeto PC Conectado e a Lei de Comunicação Social. Não existe uma definição clara sobre o que acontecerá.

A ministra Dilma Rousseff deve ouvir os argumentos que sustentam a manutenção dos projetos na Casa Civil antes da reunião ministerial para formar uma posição. Isso pode acontecer até a próxima segunda, 15. Do outro lado, está a vontade de Hélio Costa, ministro das Comunicações, de passar a coordenar os dois temas. De um lado, pesa o argumento de que são assuntos de caráter interministerial, que afetam diferentes áreas do governo. De outro, está a defesa de um Minicom forte e que possa efetivamente definir as políticas que afetarão a sua área. Hélio Costa voltou a reafirmar nesta quarta, 10, o desejo de trazer para sua pasta projetos governamentais de inclusão digital e da legislação ampla do setor de comunicações.

A questão do PC Conectado é ainda mais complicada porque há quem defenda que o projeto fique sob a batuta do Ministério de Ciência e Tecnologia. Há ainda argumentos de que politicamente seria melhor afastar temas polêmicos (e a Lei de Comunicação Social é um deles) de perto do presidente da República. Por outro lado, o próprio presidente Lula preferiu tirar a Lei de Comunicação dos ministérios para blindá-los de pressões e evitar atropelos como os ocorridos no projeto de criação da Ancinav, que era coordenado pelo Ministério da Cultura.

Temas paralelos
Outros assuntos complexos que ainda dependem de definição dizem respeito aos projetos do Sistema Brasileiro de TV Digital e, principalmente, em relação ao rádio digital. No caso do tema TV digital, o principal desafio imediato é acertar o substituto de Augusto Gadelha no comando do Grupo Gestor. Esse nome dará o perfil dos trabalhos daqui por diante. Se for alguém alinhado com o projeto atual, mantém-se a tendência de tratar a TV digital como uma política de governo voltada para o desenvolvimento de tecnologia nacional e inclusão digital. Mas não se exclui a possibilidade de um gestor que conduza as pesquisas para um fim ou para uma simplificação, de modo a que fiquem restritas apenas a aplicações. Hélio Costa, logo que assumiu, mostrou-se receoso em relação ao desenvolvimento de uma tecnologia nacional. Depois refez suas declarações e defendeu o desenvolvimento de tecnologia nacional, mas com racionalidade no uso de tecnologias já desenvolvidas no mundo.

Na área do rádio digital, o desafio é grande e o potencial de problemas maior ainda. Isso porque Hélio Costa entende os argumentos dos radiodifusores de que a digitalização do rádio é uma simples evolução tecnológica, como foi a digitalização dos telefones celulares. Com base nessa leitura, emissoras de rádio preparam já para setembro o início de testes com o padrão IBOC, que não prevê remanejamento de freqüências nem interfere nas transmissões analógicas. As emissoras, naturalmente, querem firmar uma posição em defesa deste padrão. Mas setores do governo querem calma na definição do rádio digital e defendem o estudo de outros padrões e o início das transmissões de rádio digital por segmentos marginalizados da radiodifusão, como as ondas curtas, buscando não a simples evolução tecnológica, mas um novo modelo que permita a entrada de novos players e a revitalização de setores enfraquecidos.

Como não existe nenhum decreto nem diretriz política sobre o que fazer com o rádio digital, os personagens desse mercado estão tentando ganhar rapidamente espaço e demarcar posições, tanto entre radiodifusores quanto dentro do próprio governo.

Software livre
Outro ponto relevante que envolve as políticas traçadas sob a Casa Civil mas que afetam questões de comunicação e inclusão digital é a adoção do software livre, até aqui tida como uma das bandeiras do governo na questão da tecnologia da informação. Sérgio Amadeu, maior defensor do tema e que presidia o Instituto de Tecnologia de Informação (ITI), vinculado à Casa Civil, deixou o cargo. Especula-se que Amadeu tenha se desgastado com setores do governo que não encampam a tese do software livre. Mas fontes próximas ao ITI dizem que a política do software livre será mantida como uma diretriz governamental. Deve assumir no lugar de Amadeu o atual diretor de infra-estrutura de chaves públicas, Renato da Silveira Martini.



Por Samuel Possebon






Informação: Aesp/ Tela Viva News






Informação: Aesp/ Tela Viva News

Muda comando do projeto do SBTVD no Minicom

O atual responsável direto pelo projeto do Sistema Brasileiro de TV Digital do Ministério das Comunicações, Augusto Gadelha, está deixando o cargo. Ele foi convidado para assumir a Secretaria de Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia. Gadelha, que está no comando do Grupo de Trabalho do SBTVD, diz que seu substituto no cargo ainda não está definido nem está certo que será alguém de sua equipe, "mas tenho certeza de que não haverá ruptura, pois o projeto do SBTVD está maduro, tem uma inércia positiva, os recursos estão liberados e tem apoio do ministro para o projeto", diz. Gadelha diz sentir deixar o processo, mas espera poder contribuir através do MCT. "Não estarei na secretaria diretamente envolvida, mas tenho ótimo relacionamento com todos e vou continuar atuando no que for possível".






Informação: Abert/ Tela Viva - News



Biblioteca do Senado promove debate sobre direito autoral

O direito autoral, a propriedade intelectual e as publicações eletrônicas serão debatidos nesta quinta-feira (11), às 14h, no auditório do Interlegis, em evento com tradução simultânea que será promovido pela Biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, do Senado, pelo Centro de Informação e Pesquisa da Embaixada dos Estados Unidos e pela Biblioteca Demonstrativa de Brasília.
O encontro contará com a participação da diretora do Escritório de Registro de Direitos Autorais dos Estados Unidos, Marybeth Peters, e do advogado e professor da Universidade de São Paulo Guilherme Carboni. O moderador do debate será o consultor legislativo do Senado João Bosco Bezerra Bonfim.

De acordo com os organizadores da iniciativa, o objetivo é discutir as publicações eletrônicas no momento em que os avanços das tecnologias digitais impõem novos desafios à legislação nacional e internacional sobre direitos autorais.

Marybeth Peters é representante da Universidade George Washington, membro da Ordem dos Advogados do Distrito de Columbia (EUA) e autora do livro The General Guide to the Copyright Act of 1976.
Guilherme Carboni é coordenador de Direitos Autorais e Tecnologia da Informação do Instituto de Direito do Comércio Internacional e do Desenvolvimento (IDCID), coordenador da Comissão de Direitos Autorais da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) e autor do livro O Direito de Autor na Multimídia.






Informação: Abert/ Jornal do Senado

TV Educativa na Serra gaúcha depende do ministro Hélio Costa

A Fundação Cultural Bento-gonçalvense anunciou a instalação de uma emissora de TV Educativa na Serra gaúcha, pretendendo divulgar os aspectos turísticos e culturais da região. Mas, segundo Adriano Alves de Oliveira, diretor do canal educativo NCB TV, a troca de ministros no Governo Federal pode adiar os planos para a emissora. O canal teria sido outorgado pelo ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira e necessita de uma ratificação da concessão pelo atual ministro, Hélio Costa.

Oliveira afirma que haverá uma audiência com o novo ministro, na qual será encaminhado documento assinado por nove prefeitos da Serra gaúcha e outro assinado por todos os líderes de bancada da Assembléia Legislatva.






Informação: Coletiva.net

São Paulo legaliza rádios comunitárias

O debate entre as rádios comunitárias e as radiodifusoras comerciais tende a ficar mais tenso após a Lei 14.013, que foi recentemente sancionada pelo prefeito de São Paulo, José Serra.

Para explicar esse cenário, a revista ARede - Tecnologia para a Inclusão Social, edição n°4, apresenta os argumentos que orientaram a elaboração da nova medida e as alegações de seus opositores, como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que pretende entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade para derrubá-la.

Na mesma edição, o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, explica a nova linha editorial que implantou nas emissoras do grupo. Defende a veiculação de informações sem defesa política ou ideológica, para universalizar o acesso ao conteúdo dentro da sociedade.






Informação: Meio & Mensagem

Crise política afeta faturamento das emissoras de TV

O governo federal e suas estatais são, no conjunto, o maior anunciante do país. Mas sua produção e veiculação de publicidade na TV diminuíram devido à crise do "mensalão", prejudicando as finanças das emissoras. O Banco do Brasil e os Correios praticamente paralisaram a produção de novas campanhas. Ministérios e Presidência da República reduziram drasticamente os gastos com propaganda.

Segundo Daniel Castro, colunista da Folha de S. Paulo, as redes Record, Globo e SBT, que possuem vários contratos de patrocínios com estatais, foram menos afetadas pela crise, ao contrário da Band, que possui apenas um patrocínio. A queda de investimentos do governo nessas redes foi de 10% a 20%. Neste marasmo, quem teve um bom impulso foi o SBT, que conseguiu fechar um novo contrato: a Caixa Econômica Federal irá patrocinar o telejornal de Ana Paula Padrão, cuja estréia está marcada para segunda-feira, 15.







Informação: Coletiva.net

Rádios e TVs são proibidas de apoiar frentes

A regulamentação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a propaganda, definida na semana passada, proíbe as rádios e televisões de veicularem material próprio favorável a qualquer uma das posições no referendo. De acordo com o tribunal, as emissoras estão proibidas de "veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a qualquer das propostas do referendo". As emissoras também ficam impedidas de dar tratamento favorável a qualquer uma das duas frentes parlamentares -Brasil sem Armas, favorável à proibição, e Pelo Direito à Legitima Defesa, contra.

Mesmo as obras de ficção deverão ser isentas com relação ao referendo. De acordo com a regulamentação, é vedado divulgar filmes e novelas ou qualquer outro programa com alusão ou crítica às frentes parlamentares, mesmo que dissimuladamente.

A exceção fica para os programas jornalísticos e de debates.
As frentes terão até 20 minutos diários, por meio de anúncios pagos no rádio e na TV, para expor as propostas. Elas poderão fazer inserções de até 60 segundos, totalizando dez minutos diários cada. Essas inserções, veiculadas entre as 8h e as 24h, podem ser divididas em blocos de 15 segundos.






Informação: Aesp/ Folha de São Paulo Cotidiano

Os próximos 20 anos

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem apenas seis meses para finalizar as negociações de renovação dos contratos das três concessionárias de telefonia local - Telefônica, Telemar e Brasil Telecom -, pelos próximos 20 anos. A agência passa por ampla reestruturação interna, após ter tido três presidentes diferentes em menos de dois anos.
Trata-se de uma oportunidade única de realizar mudanças essenciais, com objetivo de eliminar os danos ao consumidor e à competição provocados pela existência de monopólios regionais privados. Sem concorrência, os preços dos serviços básicos podem aumentar anualmente pelo teto do índice de inflação previsto nos contratos. Prova disso é a reação popular materializada em mais de 100 mil ações judiciais, audiências públicas no Congresso sobre problemas de qualidade, redução dramática de linhas em uso (teledensidade) nos domicílios das classes C, D e E e a quase extinção de investimentos em serviços básicos.

Após a privatização do sistema Telebrás em 1998, a Anatel liderou com habilidade a implementação da competição nos serviços celulares, de longa distância e dados corporativos. Mas é visível a falha nos serviços de telefonia fixa local, que representam 65% do faturamento total.

A teledensidade tem caído vertiginosamente entre as classes de renda mais baixa nos últimos três anos, mostrando claramente que grande parte da população está sendo excluída do acesso ao serviço de telefonia fixa. Hoje, o valor da assinatura básica do serviço fixo cobrado pelas concessionárias é cerca de R$ 36,00.

A Lei Geral de Telecomunicações, os contratos de concessão e um decreto presidencial de 2003 estabelecem a obrigação da Anatel de implementar a competição. Mas em sete anos, a agência não garantiu ao consumidor direitos básicos, como a portabilidade. Outras ferramentas, como a utilização de infra-estrutura das concessionárias, a revenda de serviços e outros itens fundamentais também deixaram de ser implementadas. A proteção da concorrência foi negligenciada.

A Anatel assumiu uma postura fraca na defesa do consumidor e operadoras entrantes, contra atividades anticompetitivas e fortes indícios de formação de um cartel para controlar preços e acabar com a competição. As leis e políticas públicas foram estabelecidas, mas faltou compromisso do braço executivo para implementá-las.

Em junho de 2003 novas regras de incentivo à competição foram aprovadas pela Anatel. Os detalhes seriam definidos posteriormente mas, faltando seis meses para a vigência dos novos contratos, nada foi desenvolvido.

A nova liderança da Anatel enfrenta o desafio de corrigir os erros do passado e tomar as medidas necessárias para revitalizar um setor de fundamental importância para o Brasil, contribuindo para o crescimento econômico e redução das desigualdades sociais. Caso falhem em corrigir os erros dos contratos originais, a consolidação dos monopólios regionais se alastrará, implicando o retrocesso nos segmentos onde há competição, como conseqüência da eliminação de competidores menores, incapazes de fazer frente ao poder de fogo de um "clube" organizado.



(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(Luis Cuza - Luis Cuza é presidente da TelComp, associação brasileira das prestadoras de serviços telecomunicações competitivas.)







Informação: Aesp/ Gazeta Mercantil Telecomunicações & Informática

Futuro dos temas de comunicação deve ser discutido dia 11

A questão das atribuições entre Ministério das Comunicações e Casa Civil deve começar a ser resolvida na próxima quinta, dia 11. Nesta data o presidente Lula tem reuniões marcadas com sua equipe de ministros, entre eles Dilma Rousseff da Casa Civil e Hélio Costa. Além da reunião ministerial geral, Lula deve reunir as pastas que se relacionam com os temas de comunicação para definir principalmente os rumos do projeto de TV digital. Mas a expectativa de fontes próximas é que o assunto da lei de comunicação social também seja colocado na mesa e as tarefas atribuídas. Será a primeira reunião de trabalho com a nova equipe de ministros sobre os temas.

Hélio Costa tem manifestado publicamente sua vontade de ter algumas questões tratadas dentro do Minicom, sobretudo a lei de comunicação e o programa PC Conectado, hoje tocados na esfera da Casa Civil. Dilma Rousseff tem como estilo de trabalho delegar às pastas as funções específicas, segundo interlocutores familiarizados com a ministra. Mas pela complexidade e "interministerialidade" dos temas, é provável que haja pressão para que o Ministério das Comunicações não receba estas atribuições. O projeto do Sistema Brasileiro de TV Digital, por sua vez, já está sendo conduzido pelo Minicom.

O que falta é alinhar o discurso do governo e reafirmar metas, já que Hélio Costa deu declarações conflitantes sobre o tema.






Informação: Aesp/ Tela Viva News

Tito de Oliveira é novo secretário executivo do Minicom

O secretário executivo do Ministério das Comunicações será Tito Cardoso de Oliveira Neto.

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Pará, o novo secretário foi presidente da Dataprev, empresa da qual foi também diretor de negócios, durante a gestão do ministro Romero Jucá na Previdência.

A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda, 8. Cardoso de Oliveira também foi diretor econômico financeiro das Centrais Elétricas do Pará, Celpa, em 1990 e 1991, presidente da Companhia de Desenvolvimento e Administriação da Área Metropolitana de Belém – CODEM, de 1993 a 1996 e ainda diretor financeiro da Assembléia Legislativa do Estado do Pará, de 1997 a 2003. Em 2003 e 2004, foi assistente legislativo no Senado Federal.

Especula-se ainda que Oliveira tenha respaldo do deputado federal Jader Barbalho (PMDB/PA), hoje presidente da comissão de comunicação da Câmara dos Deputados.

Secretaria de telecomunicações
Saiu nesta segunda, dia 8, também a indicação do novo secretário de telecomunicações do Minicom.

Quem assume o cargo é Roberto Pinto Martins, engenheiro eletricista, atual coordenador de TI da secretaria de política de informática do Ministério de Ciência e Tecnologia. Martins tem longa carreira pública, tendo ocupado cargos no MCT desde 1984, incluindo a secretariade política de informática.





Informação: Aesp/ Tela Viva News