Representantes do governo do Estado, da prefeitura de Porto Alegre, do setor privado e de universidades gaúchas que mantêm centros tecnológicos discutiram ontem, no Palácio Piratini, a possibilidade de o RS ter uma fábrica de semicondutores para TV digital no Brasil.
Enquanto o projeto de instalação da fábrica no país aguarda definição de acordo entre os governos brasileiro e japonês, começa a mobilizar o poder público e investidores em torno da meta de atrair o empreendimento. Como o RS deve receber um dos três centros destinados à formação de mão-de-obra para o segmento de semicondutores no Brasil, há otimismo quanto às chances de o RS ser o escolhido para abrigar a fábrica. "Pretendemos fazer do RS um dos protagonistas na área de TV digital", disse o representante da Fiergs, Ricardo Felizolla.
Informação: Correio do Povo
NOTA DE FALECIMENTO
É com pesar que a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (AGERT) vem informar que, nesta quarta-feira (19 de julho de 2006), veio a falecer o sócio Henrique Renato Lorea. Aos 77 anos, o fundador da rádio Tupanci 1250 AM morreu de embolia cerebral. Atualmente, ele era diretor da rádio.
Anatel abre licitação para 3,5 GHz e 10,5 GHz
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu ontem o processo de licitação para a seleção das empresas interessadas em operar banda larga nas faixas de radiofreqüências de 3,5 GHz e 10,5 GHz. A entrega das propostas está marcada para 4 setembro. As concessionárias da telefonia fixa, como Telefônica, Telemar e Brasil Telecom, bem como suas controladoras, controladas ou coligadas não poderão apresentar propostas para as áreas em que detêm concessão, informou a agência.
O Brasil conta hoje com 4,5 milhões de acessos de banda larga. A Anatel prevê que esse número deve chegar a 10 milhões em 2010. As faixas em licitação podem suportar a oferta de tecnologia triple play, que reúne imagem, som e dados. Com isso, abre possibilidade ainda para as tecnologias WiMax de banda larga sem fio e serviços dedicados como ATM em alta velocidade, por exemplo.
A faixa de 3,5 GHz será dividida em blocos de 10,5 MHz para as outorgas referentes às regiões I, II e III e em blocos de 7 MHz para as áreas de numeração identificadas no Plano Geral de Códigos Nacionais (PGCN). Na faixa de 10,5 GHz, os blocos serão de 14 MHz para as regiões do PGO e de 7 MHz para as áreas de numeração do PGCN.
Na região III (São Paulo), o preço mínimo de compra de blocos da faixa de 3,5 GHz será de R$ 1,59 milhão e de R$ 1 milhão para blocos da faixa de 10 GHz. Na II, os preços mínimos são de R$ 1,72 milhão e R$ 1,39 milhão e, na região I, de R$ 4,27 milhões e R$ 3,35 milhões.
A outorga será concedida por um período de 15 anos, sendo prorrogável uma única vez. As vencedoras da licitação, que será decidida pelo critério de maior preço público ofertado, deverão atender, em até 18 meses pelo menos as capitais dos estados, o Distrito Federal e os municípios com população a partir de 500 mil habitantes. Nas áreas com menor número de habitantes, deverão atender, em até 18 meses, ao menos um município.
Informação: ABERT / Gazeta Mercantil - TI & Telecom - Freqüência
Horário eleitoral isenta rádio e TV de pagamento de impostos
O horário eleitoral gratuito, que começa no dia 15 de agosto em rede nacional, irá isentar as emissoras de televisão e de rádio em R$ 191,6 milhões em impostos.
Todas terão isenção de impostos por transmitirem os pronunciamentos dos candidatos.
A Receita Federal concede desconto nos impostos cobrados sobre a receita obtida com a publicidade.
A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) é contra a isenção fiscal e diz que ela “não compensa financeiramente.”
A entidade defende o fim do horário eleitoral gratuito nas emissoras. “Nós somos os únicos concessionários obrigados a fazer alguma coisa. Pedimos que acabe o horário eleitoral ou que não seja mais obrigatório”, afirma Oscar Luiz Piconez, diretor da associação.
O pagamento indireto pelo horário eleitoral é praticamente igual ao fundo partidário concedido aos 29 partidos registrados no país.
Este ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu R$ 130 milhões para a sustentação de suas estruturas partidárias.
Informação: ABERT/Bom Dia Bauru - Brazil
Ministro propõe parcerias
Até as eleições, a prioridade de recursos na área de pesquisa e tecnologia estarão voltadas para o setor de softwares, direcionados à TV Digital e aos medicamentos, disse ontem o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende.
Ele esteve em Florianópolis para participar da reunião da SBPC. Para o ministro, a saída para financiar pesquisas é atrair a iniciativa privada. Resende sugere acordos entre cientistas e empresários para investir em inovação de empresas.
O governo avalia um projeto similar à Lei Rouanet, que prevê desconto em impostos às empresas que financiarem pesquisas científicas. Ele destacou que o orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, principal fonte para pesquisa, é de R$ 1,26 bilhão.
Neste ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia liberou R$ 850 milhões para 58 projetos. Atualmente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) é destinado à ciência no país, valor considerado insuficiente pelos pesquisadores. Israel, por exemplo, investe 7% do valor de seu PIB.
Informação: ABERT/Telecomunicações - Diário Catarinense - Geral
Na era da TV Digital
Depois de adiar muito, enfim o governo anunciou que o sistema japonês é o escolhido para ser adotado no país. A badalação em torno do assunto é (e sempre foi) grande, especialmente por causa das discussões sobre o padrão ideal, questão polêmica que envolve muitos interesses. Mas distante da polêmica e das divergências, a população brasileira quer apenas o que essa nova tecnologia vai representar em suas vidas. Quer saber, basicamente, o que muda na substituição da atual e superada TV analógica pela digital; o que significam termos como interatividade, mobilidade e portabilidade. Se terá de trocar imediatamente seus aparelhos de televisão; ou com quais custos indispensáveis terá de arcar com a mudança de sistema.
Dúvidas sobre o assunto não faltam ao brasileiro que, no entanto, pode ficar tranqüilo com relação às medidas que terá de adotar quando a TV digital for realmente implantada. De imediato, nenhuma; a curto e médio prazos, apenas a aquisição de um conversor de sinais, chamado set top box, que irá custar a partir de R$ 100. A TV digital brasileira será baseada no padrão japonês (ISDBT) de transmissão e complementada por algumas inovações tecnológicas desenvolvidas por centros nacionais de pesquisa. A previsão é de que seja implantada de forma experimental, daqui a oito meses, em São Paulo.
No máximo em sete anos, de acordo com o decreto que a cria, a TV digital aberta deverá estar em todos os lares do país. A televisão dessa nova geração vai permitir ao usuário assistir programas com imagem e som de cinema, sem fantasmas, distorções e ruídos, conseqüências da tão badalada alta definição do sistema. As imagens também poderão ser vistas dentro de um veículo, mesmo em movimento (é o que se chama mobilidade), ou diretamente na tela de um celular (portabilidade).
E mais: o sistema abre possibilidades de o telespectador participar do processo, seja selecionando programas ou serviços pelo controle remoto, seja realizando compras pela TV ou participando de pesquisas (interatividade). Enfim, com a TV digital, um mundo de novas opções se abre para o conforto e prazer do consumidor. Claro que um bom tempo se passará— estima-se que pelo menos 10 anos — antes que todo esse leque de serviços esteja funcionando. Mas, pelo menos, o chute inicial foi dado com a adoção do padrão. Agora, é fazer a bola da tecnologia rolar sem mais impedimentos que possam vedar a entrada do Brasil na elite mundial da TV digital.
Informação: ABERT/Estado de Minas
Anunciantes recorrem a ajuda profissional para buscar agências
Relativamente novo até no mercado norte-americano e países da Europa Ocidental, o trabalho de avaliação e seleção de agências de publicidade pouco a pouco vai sendo descoberto por grandes anunciantes no Brasil. Melhor para a SPGA - consultoria que reúne os publicitários Luiz Sales, Alex Periscinoto, o jornalista Walter Fontoura e o executivo Sérgio Guerreiro - pois a empresa fundada em 1995 nada praticamente sozinha no vasto mar de anunciantes em busca da agência ideal para atender suas contas.
Segundo Guerreiro, há apenas 25 consultores especializados neste trabalho em todo o mundo, sendo que a maior parte está radicada nos Estados Unidos. Um levantamento realizado pela Associação dos Anunciantes da Inglaterra mostra que 70% dos maiores anunciantes do mundo usam os serviços de uma consultoria independente para trocar de agência de publicidade. "O potencial da área no mercado interno é enorme. Enquanto atendemos uma média de seis a sete clientes por ano, uma única consultoria inglesa conduziu 160 processos de seleção em 2005", diz.
Embora incipiente no Brasil, a área já responde por um terço das receitas da SPGA. A expectativa para este ano, diz Guerreiro é de crescimento de 30% para o faturamento total da empresa e de 20% só para a área de seleção de agências.
Para o diretor geral da Epson do Brasil, Odivaldo Moreno, contar com ajuda especializada na área de comunicação virou necessidade de primeira hora. "Porque a possibilidade de errar é grande. Por maior que seja o anunciante ele não é um expert em agências de publicidade", afirma Moreno.
Ele conta que uma gama muito extensa de produtos e uma verba reduzida de marketing o fez pensar na otimização dos recursos e trocar de agência de publicidade fazia parte dessa otimização. "Sair de porta em porta buscando uma nova agência não me parecia uma boa opção."
Mas nem sempre trocar de agência é a melhor ou a única saída, diz Guerreiro. "Há casos em que basta uma espécie de terapia de casais para "sacudir" a relação entre agência e anunciante. Assim como num casamento, uma relação muito longa entre os dois pode gerar acomodação. E isso de ambas as partes.
Odivaldo Moreno diz que insatisfação não é a palavra indicada para definir a relação de sua marca com a antiga agência de publicidade, a Giovanni FCB. "Mas sentimos a necessidade de mudar", completa. Depois de três meses de seleção a Epson contratou a Fabra Quinteiro e deve lançar nos próximos dias sua nova campanha de marketing - que terá dois filmes para televisão e nada menos que 18 vinhetas para a internet. "Vamos usar o marketing viral pela primeira vez em nossa comunicação o que é uma grande inovação", diz.
Mas se ganhou a conta da Epson, a Fabra Quinteiro perdeu a da Suvinil - divisão de tintas da Basf. Isso porque, a Suvinil está adotando novo posicionamento estratégico e também recorreu à consultoria especializada antes de mudar a conta publicitária de mãos. "É um processo muito novo no Brasil, mas que já está sendo bastante utilizado lá fora", afirma Francisco Verza, diretor de tintas imobiliárias da Suvinil.
Prova de que o novo negócio está se consolidando no mercado externo é que a SPGA começa a atender clientes também no exterior. A primeira experiência internacional aconteceu com a SAB Miller/Bavaria, a maior produtora de cerveja da Colômbia e um dos dois maiores anunciantes daquele país.
Guerreiro conta que todo o processo de comunicação da empresa foi revisto. Além disso, das sete agências que prestavam serviços à Bavária cinco foram eliminadas e uma nova adicionada à lista. Hoje a empresa é atendida pela Toro Fischer, Lowe/SSPM e Ogilvy.
O executivo explica que o cliente internacional é o primeiro fruto de uma parceria informal entre a SPGA e a consultoria britânica AAI. "Inicialmente a SAB Miller procurou a AAI e como temos esse intercâmbio, a empresa britânica nos indicou". Agora, diz Guerreiro, a SPGA trabalha em conjunto com sua congênere inglesa na seleção de agências de publicidade para uma montadora européia. Embora entusiasmado com a demanda do mercado externo, ele diz que ainda é prematuro projetar com quanto a área internacional pode contribuir para o faturamento da SPGA. "Até porque temos todo o mercado interno para desbravar", diz.
Informação: ABERT/Valor Econômico - Empresas & Tecnologia - Publicidade
Ministro deve ir à Câmara explicar concessões de Rádio e TV
Paula Bittar
A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara aprovou um requerimento de autoria da deputada Luiza Erundina, do PSB paulista, que convida o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, para prestar esclarecimentos a respeito das concessões de Rádios e TVs no Brasil.
O objetivo da audiência é embasar uma subcomissão que trata do assunto, presidida por Erundina.
A deputada conta que a comissão recebe uma série de denúncias relativas às concessões, como casos de prazo vencido há mais de 15 anos. Ela aponta, ainda, a inconstitucionalidade de uma prática comum: a concessão de rádios e TVs para parlamentares.
Informação: Site Comunique-se
Câmara aprova cinco concessões de radiodifusão
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou na última terça-feira (11) cinco projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam concessões de serviços de radiodifusão em vários estados.
As propostas, da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, serão analisadas agora pelo Senado. As concessões são as seguintes:
BAHIA
Laudano Comunicações Ltda. - Pojuca
PARANÁ
Associação Comunitária Entre Amigos de Reserva - Reserva
RIO DE JANEIRO
Rádio Mundo Jovem Ltda - Rio de Janeiro
SANTA CATARINA
Associação Comunitária de Desenvolvimento Cultural e Artístico de Saudades - Saudades
SÃO PAULO
Associação de Difusão Cultural e Comunitária Boas Novas de Assis - Assis
Informação: Agência Câmara
"Não vamos fazer TV Digital elitista"
Em entrevista à TV Senado, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, senador licenciado, assegurou que a gratuidade foi o que motivou o governo a escolher o padrão japonês como base do modelo de TV digital para o Brasil. Destacou que o padrão é o único que permite portabilidade e mobilidade de recepção sem custo adicional. Reclamou que a "desinformação" domina os debates. E explicou o decreto que estabelece uma transição de dez anos do sistema analógico para o digital.
Há críticas de que a sociedade não foi ouvida na escolha do padrão japonês e que a op-ção afasta a possibilidade de um padrão brasileiro, no qual já foram feitos grandes investimentos.
Hélio Costa – Vejo essas ob-servações com indignação. A desinformação chegou a tal nível que até no Conselho de Comunicação Social existe uma pessoa desinformada. Tenho me dedicado nesses últimos 18 meses a estudar a TV digital. Falamos de TV digital no Brasil desde 1992, as empresas de radiodifusão, a indústria, o Brasil inteiro se interessa por essa ferramenta extraordinária. Já no primeiro ano do governo do presidente Lula foi assinado o Decreto 4.901, que estabelece as bases da transição da TV analógica para a TV digital. Quando eu cheguei ao ministério, o governo tinha colocado R$ 12 milhões para o estudo da viabilidade da TV digital. Fui ao presidente da República e disse que nós precisávamos de recursos para as pesquisas e de um grande movimento que consultasse a sociedade, que pudesse ouvir os setores ligados à questão. O presidente nos autorizou. Fomos de R$ 12 milhões de investimentos para R$ 60 milhões. Envolvemos 1.400 cientistas, técnicos e especialistas de 92 instituições de ensino e empresas, públicas e privadas, divididas em 22 consórcios, sob a organização da Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), ligada ao Ministério das Comunicações. Todas as áreas da TV digital foram cobertas. Sobre o setor modulação, que é o mais importante, um dos consórcios desenvolveu uma ferramenta extraordinária, pela qual todos se interessaram, que é o robustecimento da TV digital, que se adapta ao caso brasileiro. Aqui temos 98% dos lares recebendo a televisão pela anteninha no teto ou dentro de casa. Não é como no Japão, Europa ou Estados Unidos. O sistema europeu está em 52 países, mas nenhum se parece com o que temos que resolver no Brasil. O nosso projeto tem de ser o da televisão livre, aberta, gratuita, que atenda a todos. Não vamos fazer no Brasil uma TV digital elitista, onde só quem tem dinheiro, quem pode pagar por cabo ou satélite é que vai ter a TV digital. O presidente deixou bem claro que o sistema tem de ser de graça e que tem de chegar a todos os lares brasileiros.
Por que a opção pelo padrão japonês?
Hélio Costa – Quais dificuldades encontramos nos demais padrões? O americano não permite a transmissão da TV digital móvel, que vai no carro, no trem, no ônibus, e muito menos permite a transmissão portátil, que vai para o celular. Então, não atende aos princípios estabelecidos no decreto. O sistema europeu faz a transmissão para móvel e portátil, mas usando o canal da telefonia celular, ou seja, você vai ter de pagar para receber a imagem no celular. Então não pode ser usado porque não é gratuito. E o sistema japonês? É o sistema americano e o sistema europeu corrigidos.
Poderia haver um sistema totalmente brasileiro?
Hélio Costa – Existem três padrões, que custaram em média US$ 3,5 bilhões e levaram dez anos para ser desenvolvidos. Por que no Brasil temos de reinventar a roda? Nós temos US$ 3,5 bilhões para desenvolver um padrão brasileiro de televisão digital? Não podemos fazer isso, especialmente em um país como o Brasil. Então, pegamos as melhores ferramentas de cada um dos padrões.
Por que não aproveitar a mudança tecnológica para fazer já uma revisão na legislação brasileira, que é de 1962, com uma nova lei geral de comunicação de massa?
Hélio Costa – Nossa Constituição deixou bem claro o que é radiodifusão e o que é telecomunicação. Os críticos dizem que poderíamos fazer uma nova lei de comunicação de massa. Mas nós não temos tempo a perder. Ou nós implantamos a TV digital ou vamos a reboque de Argentina, Chile, Venezuela ou Colômbia. Nós queremos na verdade mostrar o caminho para a América Latina. Nosso sistema respeitou tudo que está na Lei Geral de Telecomunicações e na lei de 1962. O governo não concedeu canais, não abriu privilégios. Simplesmente assinou um decreto de transição de um sistema analógico para o sistema digital. Foi exatamente o que aconteceu com a telefonia celular e nenhum desses críticos gritou, porque era contra as empresas telefônicas, que são todas estrangeiras e movimentam R$ 90 bilhões no mercado de comunicações. Fizeram isso sem consultar ninguém. E ninguém criou problema. Mas, no caso da TV digital, as empresas nacionais, que têm 50 anos trabalhando no setor, que movimentam R$ 10 bilhões, são contestadas.
A alegação é de que, durante a transição, as emissoras atuais vão receber um canal digital.
Hélio Costa – Esse é um erro. Eles tentam passar uma informação errada. O decreto é claro. Fizemos uma extensão do canal e as emissoras ficam obrigadas a transmitir durante dez anos no sistema analógico e no sistema digital. Porque as pessoas mais pobres, que não puderem comprar sequer a caixinha conversora, que vai custar R$ 80 e vai ser financiada, vão ter o direito de continuar vendo televisão por determinação do presidente. Quando o ciclo de transição for completado, o canal analógico será devolvido ao governo e será licitado e vendido. O que os críticos fazem é uma profissão. Não sei quem subvenciona essa gente.
Como vai ocorrer a democratização das comunicações com a TV digital?
Hélio Costa – A TV digital é uma ferramenta tão extraordinária que vai poder abrir os caminhos da democratização dos meios de comunicação como nunca. Ao digitalizar o sistema, podemos multiplicar o número de canais. Quando todas as emissoras de rádio e TV, públicas e privadas, forem atendidas, apenas 20% do espaço digital estarão ocupados. No decreto de transição, o governo criou quatro canais em cada comunidade [Executivo, educacional, cultural e cidadania]. Depois de atender a todas as emissoras existentes (mais ou menos 400), ainda teremos 80% dos canais para serem usados, não vai ficar nenhuma comunidade ou cidade sem o seu canal.
Outra objeção que se levanta é o fato de uma mudança tão importante ter sido feita por decreto, que levantou até suspeitas de ilegalidades, pois reivindica-se que o acordo com o governo japonês seja discutido no Congresso.
Hélio Costa – Qualquer deputado sabe que acordos e tratados são firmados e submetidos ao Congresso apenas para ratificação. Ele não pode sequer tocar no acordo. Pior é que não firmamos acordo ou tratado com o Japão, mas uma carta de intenção entre os dois governos que nem sequer tem a assinatura do presidente, mas dos ministros das Comunicações dos dois governos. No documento, os governos se comprometem a fazer um projeto conjunto em que vamos trocar informações e ferramentas que estamos produzindo. O Japão é o maior interessado em incorporar as ferramentas brasileiras ao seu sistema. O próprio ministro japonês disse que se tratará de um sistema nipo-brasileiro. Por ser congressista, o ministro das Comunicações pode até enviar o texto desse documento, dessa intenção de colaboração entre o governo brasileiro e o governo japonês, para a deputada Luiza Erundina [PSB-SP], para a comissão, para quem quiser, mas ainda não estamos no ponto de o Congresso dizer sim ou não. Tudo isso vai ser disciplinado pela Lei Geral de Comunicações, que está sendo preparada há quatro ou cinco anos. Ela vai tentar fazer a convergência das mídias no Brasil, juntando radiodifusão e telecomunicação em uma lei de comunicação de massa. Pode até ser uma proposta do Executivo, mas é o Congresso que vai ter que discutir. O decreto estabelece as bases da transição, não é uma coisa definitiva. Quem vai fazer o definitivo é o Congresso. O melhor que esses críticos poderiam fazer seria o seguinte: concorram a uma eleição, ganhem 100 mil votos. Vão ver como é difícil ganhar 100 mil votos. Senador precisa de 3,5 milhões, como eu tive. Agora, em vez de fazer crítica infundada, para fazer uma discussão mais profunda, tem que vir para cá [para o Congresso].
A TV digital vai demandar um grande comércio para equipamento, não é isso?
Hélio Costa – Nós ouvimos o Brasil inteiro e, certamente, a indústria foi um dos mais importantes setores ouvidos. Um empresário estrangeiro nos disse em uma reunião que, em um sistema moderno de TV como o brasileiro, esses televisores de plasma e de LCD [cristal líquido] e o telefone celular têm, como contribuição tecnológica da indústria do Brasil, a caixa de papelão e os calços de plástico. No telefone celular a contribuição é um pouco maior: a gente faz o carregador, que qualquer eletricista no interior de Minas Gerais faz, tão bom quanto esse que você usa no celular. Para a solução desse problema, usamos então a TV digital como instrumento de barganha, para pedir ao governo japonês para nos ensinar a fazer a TV de plasma, de LCD, para construirmos aqui, não apenas montar. Montar, qualquer um monta. Estamos exportando TVs para Uruguai, Argentina, Chile etc. com uma tecnologia de 1923, de tubo. Ninguém compra mais isso. Ou começamos a fazer televisão de plasma, de LCD, ou não vamos ter como vender TV para a América Latina ou qualquer outro lugar. Nessa negociação, nós impusemos condições para aquele que levasse o sistema, como o Japão, que retirou todos os royalties e ofereceu todas as vantagens, como financiamento de US$ 500 milhões para que possamos instalar uma fábrica de semicondutores. Tudo isso está previsto na proposta.
O decreto prevê canais públicos para o Executivo, a cidadania, a cultura e a educação. Como vai funcionar isso?
Hélio Costa – Não vai ficar uma única comunidade sem ter canal de televisão. Já estamos numa situação em que cidades como São Paulo e Rio de Janeiro não têm mais como incluir um canal no sistema analógico. Com a digitalização, volta a ter espaço, que, em primeiro lugar, será reservado para o sistema público de televisão, que passa pela TVs do Executivo, Senado, Câmara e Justiça. Nele está a TV da comunidade, para, com uma pequena câmera em um estúdio modesto no interior, a comunidade se ver, interagir. Essa é a razão de ser tão importante implantarmos a TV digital. Ou então vamos ficar como as cabeças antigas e, daqui a dez anos, a gente faz tudo isso. Eu sou totalmente a favor de fazer agora. O governo não interferiu em nada. Fez uma extensão de um direito adquirido ou comprado de quem está explorando a TV aberta. Estamos fazendo TV digital para todos. No Brasil, vai ser de graça, ao contrário da Europa, dos Estados Unidos e do próprio Japão, onde você tem que pagar. No Brasil, a TV é um instrumento de informação, cultura, educação e diversão. O brasileiro gosta de ver televisão.
Informação: Jornal do Senado
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