A Assembléia Geral Ordinária, realizada na AGERT, na quinta-feira, 11 de novembro, teve a aprovação do Balanço Financeiro da entidade por unanimidade. O Relatório de Atividades, contendo as ações da entidade e o parecer positivo da empresa de auditoria Ledur, foi apresentado aos associados.
A reforma do Estatuto da AGERT também foi tratada na Assembléia. Ficou decidido que na próxima reunião da diretoria, marcada para dia 26 de novembro, será feita a apreciação da proposta de alteração e será decidida a data para a Assembléia Geral Extraordinária, que tratará da reforma do Estatuto.
A Assembléia foi presidida pelo vice-presidente jurídico da entidade, Claudio Brito e na secretaria estava o diretor juridico, Ary dos Santos.
Informação: AGERT
Voz do Brasil
Na próxima terca-feira, 16 de novembro, vai ocorrer, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com o relator Desembargador-Federal Carlos Eduardo Tompson Flores Lenz, o julgamento das questões relativas à Voz do Brasil.
A posição da AGERT é que as rádios sejam liberadas com a flexibilização do horário de transmissão da Voz do Brasil.
Informação: AGERT
ABERT impetra mandado de segurança para que emissoras possam transmitir o jogo da seleção brasileira
A ABERT impetrou, no dia de ontem, mandado de segurança solicitando sejam suas associadas autorizadas a não veicularem o programa oficial de informações dos Poderes da República, conhecido como "A Voz do Brasil", em especial no próximo dia 17, quando será realizada partida de futebol envolvendo as seleções do Brasil e do Equador, válida pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006.
O jogo ocorrerá na cidade de Quito, com início previsto para às 16 horas locais, o que corresponde, exatamente, às 19 horas de Brasília, horário de início do programa "A Voz do Brasil".
Anteriormente, a ABERT havia solicitado a flexibilização do horário de transmissão à SECOM, a pedido de diversas de suas associadas, porém, a referida Secretaria de Comunicação não acatou o pleito.
O mandado de segurança em questão, autuado sob o nº 2004.34.00.043663-0, foi distribuído para a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília e está aguardando decisão a ser proferida pela Juíza Edna Márcia Silva Medeiros Ramos.
Informação: ABERT
Emissoras devem apresentar declarações com a composição de seu capital social até o último dia útil do ano
Todas as emissoras de radiodifusão, em cumprimento ao disposto na Lei nº 10.610, devem encaminhar ao Ministério das Comunicações, até o último dia útil do ano, declaração com a composição de seu capital social, incluindo a nomeação dos brasileiros natos ou naturalizados, titulares, direta ou indiretamente, de pelo menos setenta por cento do capital total e do capital votante.
As emissoras associadas à ABERT podem acessar a área reservada da Assessoria Jurídica, onde está disponível modelo da declaração exigida, bem como podem encaminhá-la, após o preenchimento, para a sede da Associação, no endereço SCN Quadra 04, Bloco "B", Conjunto 501, Centro Empresarial Varig, CEP: 70.710-500, Brasília - DF, que a ABERT, após efetivar o protocolo no Ministério das Comunicações, enviará cópia do mesmo para arquivo.
Também é necessário, consoante dispõe a Lei nº 10.610, o encaminhamento de declaração com o mesmo teor aos órgãos de registro comercial ou de registro civil de pessoas jurídicas.
Informação: ABERT
RÁDIO: uma mídia em constante crescimento
Há um aspecto inquestionável em relação ao meio Rádio que precisa ser muito valorizado por todos os radiodifusores: a redescoberta do Rádio pelo mercado publicitário com reflexos importantes no crescimento da sua receita comercial.
Segundo dados do Intermeios, uma das mais importantes metodologias de medição do Bolo Publicitário Brasileiro, reconhecido e valorizado por anunciantes e agências de todo o país como uma referência para a determinação dos investimentos em publicidade, estimado através da consolidação dos dados de faturamento enviado pelos próprios veículos, o meio Rádio, em relação aos últimos 5 anos, obteve no primeiro semestre deste ano seu melhor desempenho percentual em crescimento de receita, alcançando o extraordinário índice de 30,1% sobre igual período do ano anterior, igualando-se ao índice de crescimento da Televisão (30,8%), superando o do Jornal (16,6%) e da Revista (16,1%), ficando acima do crescimento do bolo publicitário como um todo, que foi de 25,7%, incluindo-se todos os veículos.
Nossa participação sobre o total do bolo publicitário vem se mantendo próximo dos 5% de acordo com o Intermeios. Na realidade, esta participação é bem mais significativa, quem sabe o dobro, pois existem aproximadamente 3.700 emissoras comerciais em operação no país e, infelizmente, uma pequena quantidade delas participa do projeto Intermeios, repassando a informação do seu faturamento, o que não é bom para a imagem e a percepção do mercado em relação ao nosso meio, especialmente na hora da definição dos investimentos em publicidade, que hoje estão 60% concentrados em Televisão.
Focalizando somente as emissoras de Rádio da Região Sul (RS+SC+PR), segundo o Intermeios, iremos observar neste primeiro semestre um crescimento da receita em 38,4%, bastante superior aos 30,1% do meio como um todo e muito acima dos 25,7% do bolo publicitário. Neste ponto, há um outro dado de extrema relevância para as emissoras de rádio da Região Sul do país que é o constante crescimento em participação sobre o volume de receita total dentro do próprio meio Rádio nos últimos 5 anos, considerando sempre os primeiros semestres de cada ano: em 2000 tínhamos 7,8% do faturamento de rádio do Brasil, em 2001 ampliamos para 8,2%, em 2002 subimos para 9,7%, em 2003 chegamos aos 13,8% e em 2004 alcançamos a significativa participação de 14,7%. Ou seja, praticamente dobramos a participação da receita das rádios da Região Sul em 5 anos em relação ao faturamento total de Rádio no país, mostrando uma tendência positiva na utilização e programação do meio por parte dos anunciantes locais e nacionais, nos diferenciando em relação as demais regiões, especialmente de São Paulo, o maior mercado brasileiro.
Ampliando nosso horizonte, o Rádio Advertising Bureau, da Inglaterra, mostra dados indicando que o meio tinha, há dez anos, 2% das verbas publicitárias do país, percentual que subiu para 7% em 2003, não sendo diferente nos Estados Unidos, onde é o meio que tem alcançado maior crescimento no share publicitário.
Estes dados justificam uma forte e poderosa tendência de redescoberta do Rádio e são frutos de inúmeros fatores que mostram que o meio está resgatando a sua própria força.
Nossa forma de viver nos dias atuais está beneficiando o mais antigo meio eletrônico de comunicação de massa do país. As pessoas estão muito mais ativas na sociedade do século XXI, assumindo um número cada vez maior de atividades que afetam diretamente o tempo de consumo das mídias. O Rádio, a cada dia, ganha mais espaço, pois ele é único meio que pode ser consumido desenvolvendo qualquer atividade, sem disputar o tempo do consumidor: podemos ler ouvindo Rádio, dirigir ouvindo Rádio, navegar na web ouvindo Rádio, até ver TV ouvindo Rádio, entre tantas outras atividades. O tempo que as pessoas passam fora de casa está aumentando e isto está fazendo com que o Rádio fique cada vez mais "colado" à população por ser uma mídia móvel. No trânsito, cresce em importância a audiência nos automóveis, especialmente nas grandes capitais, onde o congestionamento deixou de acontecer somente do horário do rush. Nos Estados Unidos, segundo pesquisa da Arbitron, a audiência nos automóveis vem crescendo nos últimos 5 anos e hoje representa 34% do total de ouvintes. A mesma pesquisa mostra a influência do Rádio nas compras realizadas no roteiro do trabalho para casa: 50% dos pesquisados afirmaram fazer paradas estratégicas para compras, 2 em cada 5 pesquisados disseram não planejar as paradas, mas optar pela compra quando estão no carro e, após ouvir um comercial , 48% decidiram parar o carro para realizar a compra do produto anunciado.
Liderando seu horário nobre das 6 da manhã às 7 da noite, alcançando mais de 90% da população, o Rádio dá sinais claros de revitalização, crescendo em audiência nos últimos anos em diversas faixas horárias. Em termos de horas consumidas, dados do Ibope posicionam o Rádio liderando o tempo médio diário de audiência sobre o total de aparelhos ligados, com 5h06min de consumo diário pelos ouvintes. Nos Estados Unidos, em 1997, os ouvintes passavam 18 horas semanais consumindo o meio Rádio, ampliando-se para 21 horas em 2003, colocando o Rádio na linha de frente em termos de horas semanais dedicadas ao consumo das mídias mensuradas.
A permanente qualificação dos nossos conteúdos, seja na informação, na prestação de serviços ou no entretenimento, a contínua profissionalização do setor, o processo de consolidação e formação de redes, os investimentos em pesquisas de audiência, a ampliação do uso da tecnologia nos processos de transmissão do comercial via Internet, no modelo MP3 ou via Satélite e da aferição da veiculação através de empresas como a Crowley e Trackmidia, o incremento das ações promocionais e da realização de eventos por parte das emissoras e uma renovada aproximação com os profissionais de criação das agências de publicidade, especialmente, a partir de 2005, quando o Rádio, pela primeira vez, depois de 51 anos, será incluído na premiação do Festival de Cannes, além de outros fatores, na minha visão, continuarão contribuindo de maneira estratégica para esta redescoberta do Rádio, garantindo um constante e sólido crescimento do nosso negócio, satisfação e encantamento dos nossos ouvintes e uma relação custo/benefício ainda melhor para os nossos anunciantes e agências, potencializando resultados em diversos formatos, modalidades e momentos.
Assim como a Ipiranga, sejamos apaixonados por RÁDIO como todo o brasileiro.
O Rádio tem muito a comemorar!
ANATEL republica regulamento de cobrança de preço público pelo direito de uso de radiofreqüências
O Conselho Diretor da ANATEL, consoante deliberação tomada em sua 321ª Reunião, determinou a republicação, com alterações, do Regulamento de Cobrança de Preço Público pelo Direito de Uso de Radiofreqüências.
O novo Regulamento foi publicado no D.O.U. de ontem, dia 09, e disciplina o pagamento pelo direito de uso de radiofreqüência por qualquer serviço, bem como estabelece a metodologia de cálculo dos valores a serem pagos.
Informação: ABERT
Senado rejeita projeto de conversão da MP 195/04
Os senadores rejeitaram ontem o projeto de lei de conversão (PLV 45/04) que altera a medida provisória (MP 195/04) que obriga fabricantes a dotarem os novos aparelhos de televisão de dispositivo de bloqueio temporário da recepção de programas televisivos, além de alterar a legislação sobre classificação indicativa.
A rejeição, sob o argumento de a matéria não ter a relevância e a urgência exigidas pela Constituição, ocorreu com a concordância dos senadores da base governista. Para solucionar o problema, o relator do PLV, senador Tião Viana (PT/AC), apresentou projeto de lei, sem vínculo com a Medida Provisória, prorrogando para 31 de outubro de 2006 o prazo para que as empresas se adaptem ao texto da lei 10.359/01.
Dessa forma, estendeu-se o prazo para adoção do dispositivo de bloqueio da programação sem que as regras de classificação indicativa fossem aprovadas.
ABERT
OAB e jornalistas propõem maior debate sobre Conselho
A ampliação do debate com a sociedade sobre o projeto do Executivo que propõe a criação do Conselho Federal de Jornalismo (PL 3985/04) e o aperfeiçoamento da proposta foram as principais sugestões defendidas pela maioria dos participantes da audiência pública realizada nesta terça-feira na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Públco.
"O Congresso Nacional tem que discutir amplamente a proposta do Conselho, que é uma necessidade nacional”, defendeu o representante da Ordem do Advogados do Brasil (OAB), Hermann Assis Baeta. Segundo ele, é necessário, por exemplo, definir as atribuições do Conselho.
A sugestão de se criar a Ordem dos Jornalistas foi apresentada à Câmara pelo deputado Celso Russomanno (PP-SP) por meio do Projeto de Lei 6817/02, ao qual está apensada a proposta do Executivo. Os projetos têm diferenças, a começar pelas atribuições do órgão profissional.
Opiniões divergentes
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murilo de Andrade, explicou que a proposta, elaborada pela Fenaj, há quase 20 anos vem sendo amplamente debatida pela categoria. "Essa proposta foi aprovada em um encontro nacional da categoria. Precisamos de uma entidade que defenda a atividade jornalística e zele pelo fiel cumprimento das normas éticas, que têm valor estratégico para a profissão", explicou Andrade.
Ele informou que a Fenaj, atendendo a diversas ponderações, decidiu apoiar mudanças no projeto do Conselho de Jornalismo para torná-lo mais democrático. A principal inovação admitida é a participação de representantes da sociedade civil. O projeto do Executivo prevê que o Conselho seria integrado apenas pelos próprios jornalistas.
Já na avaliação do representante da Associação Brasileira de Rádio e Televisão e da Associação Nacional dos Jornais, Paulo Tonet Camargo, a proposta poderá interferir na atividade de jornalismo, uma vez que o texto não define os critérios de julgamento ético pelo Conselho. Paulo Camargo defende uma revisão da lei que regulamenta a profissão, mas acredita que isso só vai acontecer, depois da retirada do projeto do Congresso Nacional.
"O jornalismo brasileiro vem tendo um papel fundamental sem precisar de um órgão deste tipo para normatizar a profissão", argumentou. Para ele, foi um "grande equívoco" o envio do projeto ao Congresso pelo Governo antes de uma discussão mais ampla com a sociedade.
Proposta constitucional
Segundo Hermann Assis Baeta, a OAB não considera que a proposta seja inconstitucional. Ele informou que o Conselho Federal da OAB aprovou a proposta do Governo por expressiva maioria de votos dos seus conselheiros - dos 27 integrantes, 22 foram favoráveis, dois contra e três não participaram da reunião em que foi discutida a criação do Conselho Federal de Jornalismo.
O representante do Ministério do Trabalho, Remígio Todeschini, também defendeu a necessidade de se criar um órgão para regulamentar o exercício da profissão de jornalista. Segundo ele, a fiscalização do Ministério restringe-se à verificação da existência do registro profissional. Em sua opinião, a criação de um conselho com a atribuição legal de regular o exercício da profissão de jornalista visa essencialmente a orientar a atividade profissional e a garantir procedimentos éticos, assim como ocorre com outros tantos conselhos profissionais.
Na avaliação da chefe do Departamento de Jornalismo da Universidade de Brasília (UnB), Zélia Leal, o Conselho será bom tanto para o jornalista que acaba de ingressar no mercado de trabalho como para os antigos profissionais da imprensa.
Ela defende que os críticos do Conselho procurem conhecer melhor o projeto. "Esse assunto tem sido debatido sem um conhecimento mais fundamentado. Muitos querem discutir a questão sem sequer conhecer a íntegra do projeto de lei", observou.
Consulta no DF
O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Romário Schettino, informou o resultado de uma consulta feita à categoria sobre o Conselho: 410 jornalistas de Brasília foram ouvidos, 57% se manifestaram contra a proposta e 43% a favor.
Segundo Schettino, em sua maioria, os jornalistas da capital não acreditam que a qualidade da informação poderá melhorar com o Conselho. Por outro lado, disse ele, a categoria defende a criação de mecanismos legais que impeçam a entrada no mercado de trabalho de pessoas não habilitadas.
Informação: Agência Câmara
AGERT nomeia dois novos membros da diretoria
Na reunião da AGERT de hoje, quinta-feira, 11 de novembro, foram nomeados um vice-presidente e um diretor.
Hermes Ribeiro de Souza Filho assume o cargo de Vice-Presidente Regional – Litoral Sul, no lugar de Alcides Ribeiro. João Roberto Brito será o novo Diretor de Qualidade e Produtividade, no lugar de Ivan Daniel.
Informação: AGERT
Jornalismo de Rádio
Sete da manhã. O telefone toca na redação de uma rádio brasileira. Ninguém atende. Um acidente na principal rodovia de acesso à capital interrompe o trânsito.
– Desloca o helicóptero para lá.
O telefone volta a tocar.
Na Zona Sul, a polícia ameaça entrar no prédio ocupado por famílias sem-teto.
– Manda o repórter que iria cobrir a chegada do ministro no aeroporto.
Mais uma vez, insistentemente, o telefone.
– Deixa tocar.
Tentativa de fuga em um distrito policial. É na Zona Norte.
– Cadê o repórter das sete que ainda não apareceu?
O toque do telefone é irritante, atrapalha a concentração do redator, que precisa terminar o texto do noticiário.
Brasília avisa que a reunião ministerial vai começar mais cedo.
– É muita gente para entrevistar, precisa de duas equipes por lá.
O barulho do telefone ainda incomoda. O editor passa correndo ao lado. Não dá tempo de atender. Tem que entregar o cartucho com o destaque que entrará no ar dali a pouco.
Do estúdio, vem um chamado:
– Já confirmaram onde será a reunião dos líderes dos partidos?
Quase não dá para ouvir a pergunta. O telefone atrapalha.
Da central técnica, o aviso:
– Rio já gravou, e Minas, também.
O grito se mistura ao som do telefone. Alguém, finalmente, tem a idéia genial: "Tira o fone do gancho!"
Problema resolvido. O telefone pára de tocar. Ninguém mais precisa atender a ligação. Afinal, todos têm mais com que se preocupar. Deveria ser apenas um ouvinte reclamando que, desde cedo, está sintonizado na rádio, mas até agora não conseguiu a única informação que realmente lhe interessava: a previsão do tempo. É sempre assim, dão-se todas as notícias e ainda aparece alguém para dizer que falta alguma coisa:
– Rádio é bom, o que estraga é o ouvinte.
Introdução de Jornalismo de rádio, de Milton Jung, 160 pp., Editora Contexto (www.editoracontexto.com.br), São Paulo, 2004; R$ 24,90; título do OI
A cena descrita acima não é obra de ficção. A notícia não espera acontecer. Não marca hora. Está prestes a surgir, sem pedir licença. E na dinâmica da redação, é preciso se multiplicar para cobrir todos os fatos. O tempo é curto. Ninguém consegue parar a máquina. Lembra Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Nessa fábrica, os operários são jornalistas, seres humanos – até que provem o contrário. Na linha de montagem tem computadores sobre as mesas; na central técnica, gravadores e fios; além de centenas de pequenos botões sobre a mesa de som. Tudo e todos mobilizados para uma só finalidade, transformar fatos em notícia.
A velocidade do trabalho dentro de uma redação de rádio gera distorções. Leva o jornalista a esquecer que se o objetivo é transmitir notícias, este só existe porque na outra ponta tem o cidadão para ser atendido, o ouvinte. Sem ele não há razão para o rádio ser o que é. Nem para a existência do jornalista, ou da própria notícia. Trabalha-se em função desse ouvinte , por causa dele e só para ele, por mais que os interesses comerciais, empresariais e de mercado nos levem a pensar diferente, com uma lógica consumista.
O ritmo alucinante da redação é resultado da agilidade, característica marcante do rádio, da qual abrir mão nunca será viável, mesmo com a "concorrência" do telefone e de outros tantos fatores que conspiram contra a boa execução do trabalho. O jornalista que, contaminado por essa dinâmica, esquecer o motivo de estar ali, deixa de ser jornalista. Transforma-se em burocrata. Um carimbador de cartório que autoriza ou recusa um documento – no caso, a notícia – sem ter noção do impacto na sociedade da medida adotada.
Este livro é para quem ainda acredita que o rádio pode ser um agente transformador, capaz de revolucionar costumes e mobilizar a comunidade. Gente que, apesar do toque imposto pela máquina – e, também, pelo telefone –, enxerga no ouvinte um parceiro na construção da notícia. Sabe que este não é apenas um consumidor. É um cidadão. E como tal tem de ser respeitado.
É para você que entende ser o rádio, assim como o jornal, a revista, a emissora de televisão e o portal de notícia da internet, ferramenta da democracia, que garante à sociedade a liberdade de expressão.
Este livro foi escrito para jornalistas, ainda em formação ou já formados, mas, também, para o ouvinte. Se ele for tratado pelos profissionais de rádio como cidadão, se conhecer os conflitos éticos aos quais os jornalistas estão expostos, as fraquezas que os tornam sensíveis às pressões de mercado, além de entender o mecanismo desse veículo, aprenderá a exercitar a cidadania de maneira eficaz.
Caso não se identifique com o papel de nenhum dos dois personagens citados, leia este livro mesmo assim. É possível que você mude de idéia sobre o rádio e, se não se formar jornalista, quem sabe se transforme em ouvinte-cidadão.
Um velho desconhecido
O rádio, apesar de ter mais de oitenta anos, ainda é um velho desconhecido. Isso pode soar estranho se levarmos em consideração os números desse veículo, que alcança 96% do território nacional, a maior cobertura entre todos os meios de comunicação, com público aproximado de noventa milhões de ouvintes.
Os meios impressos, muito prestigiados pelos formadores de opinião, por exemplo, são publicados em pequena escala, proporcionalmente. Calcula-se que o índice de circulação de jornais no Brasil não seja superior a 45 exemplares para cada mil habitantes. As revistas não chegam a mais de 1. 200 títulos, com tiragem que se aproxima de dois exemplares por brasileiro, por ano. A televisão, vedete no meio, está presente em pouco mais de 87% do país, com 90% da população sintonizada em alguma emissora, ao menos uma vez por semana. Esses percentuais, capazes de provocar inveja a alguns povos, atingem menos pessoas que o rádio. Não mais do que sessenta milhões de telespectadores. A internet ainda engatinha.
O alcance do rádio, no entanto, não se traduz em prestígio. Nos trabalhos de treinamento de mídia com empresários, executivos, médicos e profissionais liberais, fica evidente o interesse desses pela televisão. A maioria se imagina nos programas de entrevistas ou nas reportagens dos telejornais da noite – apesar de as chances de emplacarem na TV serem muito maiores se o nome deles estiver envolvido em alguma falcatrua. Boa parte gostaria de ser personagem da matéria de capa das revistas de circulação nacional. Estar na primeira página de um dos grandes jornais também se encaixa no que poderíamos traduzir como "sonho de consumo"–- ou de ser consumido. Levantar cedo para conversar por telefone com o âncora de um prestigiado programa de rádio certamente não está na agenda de prioridades. Não podemos culpá-los por se comportarem assim.
Mesmo entre os jornalistas, já nos tempos de universidade, a maioria dos meus colegas se preparava para atuar na televisão. Sonhava em ser âncora ou repórter nas maiores emissoras do país. Como sonhar não custa nada, todos queriam aparecer na famosa emissora carioca, ou em uma de suas filiadas. Assinar reportagens nos jornais mais importantes estava entre as metas daqueles que me acompanhavam na faculdade de jornalismo. Poucos, porém, esperavam ter de sair com um gravador na mão atrás de entrevistados, suplicando por uma fala para fechar uma reportagem para a rádio.
Vivemos em uma sociedade fascinada pela imagem, o que explica esse comportamento. Estamos, também, em um país no qual o poder da televisão é extremamente forte. Estruturadas em redes nacionais – são cinco no total, com 374 exibidoras –-, as emissoras de TV influenciam profundamente a população, ditando costumes e apresentando tendências. Em contrapartida, temos 3.647 estações de rádio, espalhadas em vários pontos do Brasil – de acordo com dados do Grupo de Mídia, entidade que reúne profissionais de mídia das agências de publicidade. A maioria atua de forma isolada, desestruturada, e poucas têm como foco o jornalismo.
Usar o rádio com competência, explorando os recursos e o alcance – principalmente hoje, com as emissoras atuando em rede, conectadas à internet – pode se transformar em interessante política de comunicação para empresas, abrindo uma linha direta com o público, interno e externo. Essa idéia se aplica, também, àqueles que acreditam ser possível fazer jornalismo no rádio com qualidade equivalente a de outros veículos, direcionado a um público fiel, que "enxerga" no âncora ou comunicador o companheiro, o amigo, o conselheiro que diariamente conversa com ele ao "pé do ouvido".
Em 2001, a Coca-Cola explorou a capacidade de mobilização do rádio para lançar a campanha publicitária comemorando os sessenta anos no Brasil. Às 8h45 do dia 9 de maio, durante três minutos, formou-se rede inédita com 3.183 emissoras de rádio, que veicularam os mais importantes jingles da marca. Desde que chegou ao país, essa empresa utilizou o rádio como principal veículo de comunicação com o público. Em 1948, no seu primeiro investimento publicitário de grande porte, patrocinou o programa Um milhão de melodias, da Rádio Nacional. Com a chegada da televisão, a verba de publicidade trocou de mãos. Mesmo assim, em 2001, o maior fabricante de refrigerantes do mundo concluiu que somente pelo rádio teria condições de atingir todo o público consumidor de uma só vez, e investiu 845 mil reais para veiculação do comercial em rede.
A Tramontina, maior grupo de cutelaria do Brasil, também escolheu o rádio para conversar com o público-alvo em campanha publicitária voltada para a região Nordeste, que representa 15% do volume total de negócios da empresa. A intenção foi ganhar a fidelidade do consumidor, divulgando a marca de ferramentas e equipamentos, cuja distribuição é feita em milhares de pequenos pontos de venda e cooperativas, nos quais o rádio é o principal canal de comunicação.
Usar exemplos do mercado publicitário pode parecer contraditório quando o que se pretende é falar da importância do jornalismo de rádio. Conflitos entre os dois setores provocaram, em diferentes ocasiões, prejuízos à qualidade editorial, sobre a qual responde o jornalista, e à comercial, que está sob responsabilidade de executivos, financiadores e anunciantes.
As divergências históricas entre jornalismo e publicidade são o álibi para a defesa da tese de que o rádio pode ser explorado com inteligência e discernimento como meio de comunicação social, transformando-se em instituição da cidadania. As duas empresas reconheceram a força de convencimento do veículo.
Para tanto, é fundamental saber como o rádio se comporta diante do público, como este reage e como deve ser a atuação do jornalista.
Memória de elefante
O elefante, dizem os especialistas, lembra tudo o que lhe é ensinado, porque tem memória de causar inveja. Daí a expressão usada para identificar pessoas que conseguem memorizar com facilidade. O profissional do rádio bem que gostaria de ter à disposição ouvintes com memória de elefante, mas não é essa a realidade. A culpa não é do ouvinte, mas do próprio veículo, pelo que se pode verificar em trabalhos científicos realizados na área de comunicação.
Um estudo publicado pela professora Maria Cristina Romo Gil, no livro Introducción al conocimiento y práctica de la radio (Diana, 1987), ilustra bem o desafio enfrentado pelo jornalista de rádio que utiliza-se apenas da voz para se comunicar com o público. O estudo concluiu que a mensagem que parte de uma fonte verbal tem 60% do conteúdo retido até três horas após a emissão. Três dias depois, restarão na memória do ouvinte cerca de 10% de tudo o que foi dito. Quando a fonte é apenas visual, os índices sobem para 72% e 20%, respectivamente. Mas se a fonte for audiovisual – com olhos e ouvidos atuando em conjunto na recepção – retêm-se 85% da mensagem até três horas após a emissão, e, três dias depois, 65% ainda é lembrado.
Note que o telespectador, atento às notícias divulgadas, retém mais informações três dias após a emissão que o ouvinte que acompanhou um programa de rádio há três horas. Portanto, a mensagem radiofônica tem de ser clara e precisa, levando em consideração as dificuldades impostas pela própria característica do veículo. Mas não apenas por isso.
Todo e qualquer cidadão que procura comunicar alguma coisa ou informar a alguém – entre eles, os que representam um grupo ou estão à frente de uma idéia e precisam divulgá-la – deve saber que comunicação não significa o que é dito mas o que o outro entende. Um exemplo típico: a pessoa convoca uma reunião no local de trabalho, no grupo de estudos da faculdade ou em qualquer outra situação semelhante. Durante uma hora apresenta a proposta e discute o tema com os companheiros. Ao fim da conversa, um dos participantes cruza com outra pessoa que quer saber o que foi debatido lá dentro e a informação transmitida é diferente daquela que a pessoa apresentou, ou julgou ter apresentado. Não se trata de má-fé por parte daquele que passou a informação à frente. A forma como foi emitida a mensagem é que, talvez, não tenha sido eficiente, clara e precisa.
Esse processo, que lembra a brincadeira do telefone sem-fio, é mais comum do que gostaríamos, principalmente em um veículo em que os recursos para a emissão da mensagem são limitados. Isso ocorre porque entre aquilo que o emissor diz e o que o receptor entende existe uma série de fatores que provocam distorção e ruído: a forma do discurso, o tom da voz, os gestos, os elementos estranhos à informação – como o movimento de pessoas no cenário em que a mensagem está sendo emitida ou recebida. Tudo pode contribuir ou prejudicar para o entendimento do que é comunicado.
Procure imaginar o que acontece em torno do ouvinte ao mesmo tempo em que a mensagem é transmitida pelo rádio. Ele pode estar dirigindo, atento ao trânsito, preocupado com o motoqueiro que passa em alta velocidade e com os demais motoristas que tentam tomar-lhe a frente. Luminosos, cartazes, pichações e pessoas atravessando a rua desviam-lhe o olhar. Outra situação: o ouvinte está sentado, no escritório. Diante dele, o computador recebe dezenas de mensagens eletrônicas a cada minuto. O telefone toca; a secretária aparece, lembrando o compromisso de logo mais, e os colegas debatem a campanha que está para ser lançada. Em meio a essa avalanche de informações, lá está o locutor, esganiçando no rádio, tentando ser mais interessante que tudo isso junto.
Não é mesmo tarefa fácil enfrentar tamanha conspiração. Pode parecer mais simples dar de ombros ao rádio e buscar outros meios de comunicação. A televisão, por exemplo, seduz pela imagem, "obrigando" o público a parar diante dela. A internet cativa pela interatividade. O jornal permite que se leia e releia a notícia, até que seja compreendida.
Comunicar é tornar comum, ligar e unir, entre tantos outros sentidos encontrados nos dicionários. Para aproximar emissor e receptor, com o rádio como meio de transmissão, é fundamental trabalhar para que todos os elementos do processo de comunicação tendam para um ponto em comum tornando a informação mais convincente, mesmo que o ouvinte não tenha memória de elefante.
Informação: Sulrádio/ Observatório da Imprensa
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