Acerca das acusações apresentadas pelo Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações (FNDC) em relação ao fechamento pela Anatel da emissora TV Uni-BH em Ouro Preto/MG pela Anatel, o Ministério das Comunicações divulgou a seguinte nota:
"O Ministério das Comunicações recebeu denúncia de uso irregular contra a emissora em Ouro Preto, Minas Gerais - TV Uni-BH, (Fundação Cultural de Belo Horizonte). Constantemente, o ministério recebe inúmeras denúncias e as repassa à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), entidade responsável pela fiscalização de forma independente. A Anatel apurou que havia um link entre o estúdio e a retransmissora, o que não é permitido legalmente a um canal RTV (Retransmissora de TV). Por isso, a Anatel lacrou o link, conforme determina a legislação que rege o setor de telecomunicações, e não fechou o canal da TV-Uni-BH. Portanto, não têm nenhum fundamento as acusações feitas à atuação do ministério".
Informação: TELA VIVA News
Jornalista avalia impacto das novas tecnologias
“Não há sentido em falar dos meios de comunicação como se fossem coisas distintas. Todos os meios atualmente estão interligados”, disse o jornalista Ethevaldo Siqueira, colunista do jornal O Estado de S.Paulo, ao falar durante o Seminário Imprensa Multimídia, que se realiza até amanhã em Brasília. Um especialista em novas tecnologias, Siqueira detalhou a evolução da comunicação via Internet. Segundo ele, a telefonia fixa demorou 74 anos para chegar a um milhão de usuários. O rádio, 38 anos. Os computadores, 16 anos. Já os celulares demoraram cinco anos, e a Internet, apenas quatro. “Espantosamente, o skype – comunicador de voz e imagem via Internet – demorou apenas 22 meses. Trata-se de uma forma de comunicação em que o custo tende a zero”, ressaltou ele.
Ao falar sobre a TV Digital, Siqueira afirmou que ela representa uma evolução na prestação de novos serviços, entre os quais estão a interatividade, a produção de conteúdos regionais, a venda direta de produtos e os jogos interativos, entre outros. “São recursos que jamais poderiam ser esperados de um equipamento analógico”, explicou. Ele ressaltou, porém, que esta tecnologia dificilmente chegará às casas da maioria dos brasileiros. “Em um país em que 76% da população possui televisores de 14 polegadas ou menos, falar em serviços de TV Digital é complicado. Se a imagem da TV do cidadão estiver boa, nem mesmo o conversor ele se interessará em comprar”.
Informação: Coletiva.net
Encontro de Líderes manifesta sua preocupação em relação às comunitárias
O presidente da AGERT, Roberto Cervo “Melão” e o gerente-executivo da instituição, Luciano Ciceri, participaram na última semana, do Encontro de Líderes da Radiodifusão, promovida pela Associação de Emissoras de Rádio e Televisão de São Paulo (Aesp), na capital paulista.
O evento contou com a presença do superintendente de Comunicação de Massa da Anatel, Ara Apkar Minassian, que relatou o incidente causado por uma rádio pirata na cidade de Guarulhos. A rádio ilegal interferiu no sistema de comunicação do Comando Aéreo, causando transtorno e preocupação no setor de aviação da cidade.
O encontro discutiu assuntos relacionados à radiodifusão, entre eles a preocupação dos radiodifusores em relação à comercialização das rádios comunitárias.
Segundo Melão se não houver uma posição nacional junto aos parlamentares, as rádios comunitárias serão em breve, como qualquer outra emissora, que comercializa normalmente. “Portanto é fundamental, que cada proprietário de rádio comercial fale e diga, que não aceita isso”, reforçou.
Durante o encontro, os líderes da radiodifusão prometeram unir o setor em busca de suas reivindicações, como o fortalecimento da mídia regional. Estiveram presentes, além da AGERT, os presidentes das associações do Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Tocantis, Maranhão, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Sergipe, Ceará e Minas Gerais.
Informação: AGERT
Anatel lacra TV educativa-universitária em Ouro Preto
Nesta quinta, 9, a Anatel lacrou os transmissores da TV Uni-BH Inconfidentes, a antiga TOP Cultura, emissora educativa em Ouro Preto/MG. O argumento da agência para lacrar os transmissores foi o fato de a emissora estar licenciada para funcionar apenas como repetidora e não pode gerar programação própria.
Polêmica
O Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações diz haver indícios que levam a considerar que a atitude da Anatel foi um ato de perseguição política do ministro Hélio Costa contra a emissora, que é mantida pela Fundação Cultural de Belo Horizonte, que mantém na capital mineira o Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH, escola privada concorrente direta da Universidade Salgado de Oliveira, que pertence aos dois suplentes de Hélio Costa no senado.
Segundo o FNDC, a emissora encontrou dificuldades para obter sua legalização como geradora educativa. O processo, que já teria sido aprovado na Câmara, está parado na Comissão de Educação do Senado, onde o relator seria o senador Hélio Costa. Uma outra razão para a presumida perseguição política refere-se ao fato de que o diretor da emissora TV Uni-BH ser o vice-presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura - ABTU, entidade que tem se manifestado favoravelmente ao adiamento da decisão acerca do padrão de televisão digital.
Por outro lado, de acordo com o FNDC, o ministro Hélio Costa está se empenhando para conceder um canal educativo para a Universidade Federal de Ouro Preto, com o apoio do prefeito da cidade a quem ele é ligado politicamente e que tem reclamado continuamente da linha editorial da TV Uni-BH. Finalmente, o Fórum suspeita da ação política pelo fato de os fiscais da Anatel terem declarado aos funcionários da emissora de Ouro Preto que a emissora estava sendo lacrada a pedido do Ministério das Comunicações.
Segundo o Ministério das Comunicações, a única ação promovida foi o lacre do link (ilegal) entre o estúdio e o transmissor. O Minicom não se pronunciou sobre as acusações do FNDC.
Informação: TELA VIVA News
Decisão é adiada por alguns dias a pedido de ministros
Os ministros que compõem o Comitê de Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), após uma longa reunião na tarde desta sexta-feira, 10, solicitaram ao presidente Lula mais um prazo "curto" para fazer alguns ajustes em relação à decisão do padrão que será adotado no Brasil. O governo está convencido de que o padrão japonês ISDB é o melhor, segundo apurou este noticiário.
Todavia, os ministros alegam já haver condições de tomar a decisão em função dos estudos realizados. O anúncio do pedido foi feito pelo ministro Hélio Costa em nome de seus colegas do Comitê de Desenvolvimento. Com exceção do ministro do Planejamento, os demais ministros que compõem o coletivo participaram da reunião no Palácio do Planalto no último dia do prazo previsto para o anúncio da decisão no Decreto presidencial.
Segundo fontes bem informadas, a razão dos dias a mais solicitados foi a proposta da ST Microelectronics de instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil. Os ministros resolveram ouvir a proposta. A que foi feita até aqui, segundo a fonte, não é suficiente para reverter a decisão pelo padrão japonês, mas como há a perspectiva de que ela possa ser ampliada, avaliou-se que alguns dias não fariam diferença.
Outra fonte também próxima ao processo garante que a primeira decisão, sobre o padrão técnico, não virá acompanhada das regras de transição, que serão discutidas por mais algumas semanas.
Informação: TELA VIVA News
Pleito da radiodifusão foi atendido em parecer
A complementação do parecer apresentado pelo deputado Luiz Carlos Hauly PSDB/PR, ao Projeto de Lei Complementar - PLP nº 123/2004, que regulamenta o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, contempla a radiodifusão brasileira quando permite o ingresso no regime do SIMPLES NACIONAL das empresas que prestam o serviço de radio e tv. O texto esclarece e não permite interpretações divergentes, quando fixa, que:
"Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional
Art. 10. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte:....
§ 2º O disposto nos incisos I a XXIII do caput não se aplica às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades de:....
.... VIII – que preste serviço de comunicação, exceto as empresas de mídia externa, as jornalísticas, de radiodifusão sonora e de sons e imagens;".
No momento da votação desse Estatuto, pelo Plenário da Câmara dos Deputados, haverá necessidade de mobilizarmos nosso setor, no sentido de manter o dispositivo. Havendo interesse na íntegra do parecer, solicite: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Informação: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
Propaganda de cerveja em debate
O Conselho de Comunicação Social do Congresso voltou a debater, na semana passada, a regulamentação da publicidade de bebidas alcoólicas. Foi aprovado relatório contrário à adoção de novas e mais rigorosas restrições à propaganda na TV. Um consenso, porém, está longe de ser alcançado. A questão divide os conselheiros e é tema de 75 projetos em tramitação (dez no Senado e 65 na Câmara). No governo federal, um grupo interministerial chegou a propor, em 2003, a proibição de propaganda de qualquer bebida alcoólica antes das 23h, mas, entre o fogo cruzado do lobby da indústria cervejeira e a pressão de organizações da sociedade, não foi tomada uma decisão.
Tião Viana (PT-AC) sugere a regulamentação do decreto proposto em 2003. Já Heloísa Helena (PSOL-AC) cobra "coragem política" do governo para banir da TV mensagens que incentivem o consumo de álcool.
A propaganda de bebidas alcoólicas no Brasil é regulada pela Lei 9.294, de 1996. Segundo essa lei, bebida alcoólica é somente aquela com mais de 13º na escala Gay-Lussac, o que exclui as cervejas e a maioria dos vinhos. A principal restrição que apresenta é a redução do horário de publicidade na TV e no rádio, permitindo propaganda de álcool somente entre 21h e 6h.
"Lamentavelmente, sucessivos governos brasileiros têm cedido ao lobby dos produtores. Ficam com os empregos e as receitas de impostos hoje gerados e fe-cham os olhos para os prejuízos de amanhã", afirma manifesto do Movimento Propaganda Sem Bebida, iniciativa da Aliança Cidadã pelo Controle do Álcool, que reúne centenas de organizações da sociedade.
A aliança quer recolher 1 mi-lhão de assinaturas em defesa de um projeto que limite a publicidade de bebidas de qualquer teor alcoólico nos meios de comunicação e em eventos esportivos, culturais e sociais, pois entende que o anúncio do produto induz ao consumo.
Maguito Vilela (PMDB-GO) cita acidentes de trânsito e violência como alguns dos efeitos adversos do consumo imoderado do álcool. Para Iris de Araújo (PMDB-GO), seriam necessárias medidas rigorosas que advirtam para os perigos do consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
A Aliança Cidadã defende a aprovação do PLC 35/00, que define bebida alcoólica como o líquido potável com qualquer teor alcoólico.
Autor de um dos projetos que tramitam apensados ao PLC 35/00, Geraldo Mesquita Júnior (PSOL-AC) rechaça a alegação dos publicitários de que proibir propaganda de bebida feriria o princípio constitucional da liberdade de informação.
– Inconstitucional é a gente colocar uma questão comercial acima de uma questão de saúde pública nacional – declarou.
Informação: Jornal do Senado
Anatel interrompe o funcionamento de emissoras em fevereiro
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) interrompeu o funcionamento de 13 emissoras que funcionavam de forma ilegal. Segue a relação:
CENTRO SOCIAL COMUNITÁRIO SIMÕES LOPES 93,7 - PELOTAS
ASSOCIAÇÃO DE DIFUSÃO COMUNITÁRIA FRAGATENSE 105,5 - PELOTAS
RÁDIO FELICIDADE FM 97,7 - SANTA CLARA DO SUL
RÁDIO LÍDER FM 92,5 - CAMAQUÃ
ASSOC. COM. POPULAR PONTANENSE ASCOPP 91,9 - PONTÃO
ASSOC. MATO CASTELHANENSE DE RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA 91,5 - MATO CASTELHANO
ASSOC. DE RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA DE CERRO GRANDE DO SUL 105,5 - CERRO GRANDE DO SUL
CLUBE CULTURAL DOS VIOLEIROS DE GRAVATAÍ 101,9 - GRAVATAÍ
ASSOC.COMUNITÁRIA CULTURAL PASSO DA CAVEIRA E ADJACÊNCIA 88,9 - GRAVATAÍ
ASSOC. DOS AMIGOS E MORADORES DO BAIRRO SIMÕES LOPES 97,7 - PELOTAS
ASSOC. CULT. E COMUNIT. ENCOSTA DA SERRA 101,1 - TRÊS COROAS
ROMEU GABRIEL GRESS 101,7 - TAQUARA
RÁDIO NOVA VISÃO 88,1 - PORTO ALEGRE
A Anatel foi impedida de fiscalizar 5 emissoras ilegais
ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DE COMUNICAÇÃO TRIUNFO 87,9 - TRIUNFO
ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA ENCOSTA DA SERRA FM 105,9 - DOIS IRMÃOS
ASSOC. CULTURAL PRO-SUCESSO COMUNITÁRIO MONTANHA LAJEADO 97,3 - LAJEADO
RENAN SCISLEWSKI 97,1- DOM FELICIANO
ASSOCIAÇÃO COLORENSE DE RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA 105,9 - LINDOLFO COLLOR
Informação: Anatel
TV digital recria publicidade
Marcela Canavarro e Paula Ganem
Principal vitrine da publicidade nacional, a televisão promete revolucionar a forma de abordar consumidores. Com o padrão de TV digital brasileiro prestes a ser definido, abrem-se possibilidades promissoras para o marketing. Ao longo dos próximos anos, serviços interativos se tornarão parte do cotidiano dos telespectadores. A nova tecnologia pode determinar uma era de compras pela TV, que hoje ocorre de forma rudimentar.
O padrão seria anunciado na sexta-feira, mas a discussão no governo sobre as contrapartidas oferecidas pelos consórcios que administram os modelos japonês e europeu levou a um novo adiamento. A decisão final deve sair na próxima semana.
Dependendo do modelo de negócios adotado, a TV pode envolver sistemas complexos de interação, com a existência de um canal de retorno por meio do qual o telespectador envia informações para a emissora. Entre as possibilidades em discussão, estão tecnologias como Wi-Fi e WiMax – conexões sem fio de alta velocidade –, além de telefonia fixa, móvel e internet a cabo. É a tão falada convergência de mídias, prometida nos anos 90 e que até hoje não tinha virado realidade: TV, internet e telefonia, tudo junto.
Enquanto representantes de emissoras afirmam que a multiplicidade de canais inviabilizaria a TV aberta gratuita baseada em anúncios, o cenário que se configura indica que anunciantes e agências terão ferramentas novas e promissoras em mãos.
Do comércio eletrônico à interação como arma para envolver o telespectador nos encantos da publicidade, passando pelas imagens cada vez mais belas. As agências já estão prontas para isso?
– Praticamente nenhuma agência está preparada para a interatividade – diz Daniel Barbará, diretor comercial da DPZ.
– A TV digital não interfere no processo criativo neste momento. E qualquer coisa nesse sentido seria uma precipitação – reforça Adílson Xavier, diretor nacional de criação da Giovanni,FCB e presidente da Associação Brasileira de Propaganda (ABP).
A publicidade terá que se apropriar da linguagem digital, que embute mudanças como a possibilidade de o telespectador pular os intervalos comerciais. Não se trata, portanto, de mera evolução da imagem e dos serviços, mas de um novo modelo de inserção publicitária.
– O que todos os anunciantes querem saber é sobre audiência – lembra o diretor da DPZ.
Em um negócio centrado na influência de comportamentos, e cada vez mais segmentado, a multiplicação de canais proposta pela TV digital é um prato cheio.
– Quando há multiplicidade de canais, há multiplicação de ofertas e de forma mais exata. Isso é exatamente o que a TV aberta não oferece porque é generalista – afirma o presidente do Comitê de Mídia da Associação Brasileira de Anunciantes, Ricardo Monteiro.
Mesmo que leve tempo, não são poucas as portas que a TV digital pode abrir.
O marketing da convergência
De olho no futuro da TV, agências investem em comércio eletrônico
A multiplicidade de canais depende da decisão do governo sobre o padrão de TV digital. O europeu (DVB), por exemplo, permite que cada faixa de 6 MHz em que hoje cabe um só canal seja ocupado por quatro a oito canais. Se optar por um modelo que privilegie essa multiplicidade, a segmentação chegará ao auge.
- O poder estará cada vez mais na mão do telespectador - afirma o redator da agência McCann-Erickson Bruno Pinaud.
Entre os modelos de negócios possíveis para a publicidade, cogita-se a reformulação do velho merchandising e a duvidosa abordagem de pop-ups - janelas que saltam na tela do computador com anúncios publicitários, já testadas nos Estados Unidos. Um misto entre a linguagem televisiva e os formatos de anúncios na internet parece, no entanto, inevitável.
Um modelo promissor segue uma experiência bem-sucedida da gigante da internet Google, com os links patrocinados. As cotas publicitárias se destinariam a um número específico de telespectadores: cada vez que o anúncio fosse assistido, um determinado valor seria pago pelo anunciante. Ao atingir a cota máxima, a emissora passaria a exibir um outro anúncio.
O esquema é possível, pelo menos no campo hipotético em que se encontram os modelos de negócios em TV digital, porque a digitalização abre a possibilidade para o próprio telespectador montar sua grade de programação. O anunciante não compraria mais, portanto, uma inserção por horário, mas por programa - maneira eficaz de atingir um público cada vez mais segmentado.
É verdade que hoje os anunciantes não aproveitam ao máximo nem mesmo os nichos já existentes, como a internet e a TV paga. De olho nas novas possibilidades, a Fischer América, que tem uma divisão de análise de tendências para estudar novas mídias, acaba de adquirir uma agência de comércio eletrônico. O CEO do grupo, Antônio Fadigo, acredita que as vantagens da TV digital para o mercado ainda vão demorar um pouco para aparecer.
- Mas já é uma vantagem competitiva grande começar a pensar sobre ela.
Para ele, as agências precisam começar a entender a TV digital - e esse tema tem uma palavra-chave: convergência.
De fato, esta é a hora de entender a TV digital. Afinal, as primeiras transmissões-testes devem ser feitas já na Copa do Mundo, em junho, e a estréia nas principais emissoras do país está marcada para 7 de setembro.
- A televisão caminha inexoravelmente para o HDTV - afirma Nelson Hoineff, presidente do Instituto de Estudos de Televisão (IET).
Entre as novas possibilidades de merchandising está por exemplo a compra de uma gravata idêntica à de um personagem de telenovela, em tempo real, enquanto a cena vai ao ar.
Emissoras ganham com padrão japonês
A alta definição só chegará aos lares com TVs digitais, enquanto os set up boxes promoverão apenas a conversão do sinal digital emitido para a recepção nos televisores analógicos atuais. O aparelho, segundo estudo do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), custará entre R$ 276 e R$ 761. Com o tempo, conforme seja amortizado o custo de desenvolvimento e à medida que se ganhe escala, esse preço deve cair.
As emissoras continuarão transmitindo o sinal analógico durante o período de transição. O que muda é que cada rede de TV ganha mais um canal para transmitir com o sinal digital.
Uma das prioridades do Sistema Brasileira de TV Digital (SBTVD) é a mobilidade, ponto que coloca o padrão japonês em vantagem em relação ao europeu e ao americano. É a possibilidade de recepcionar o sinal de televisão em movimento, como carro, metrô e ônibus. A portabilidade permite assistir à programação pelo celular e outros dispositivos móveis.
O padrão europeu privilegia a multiplicidade de canais e facilita o acesso das operadoras telefônicas ao negócio televisivo. Por essa razão, é preterido pelas emissoras de TV. Já o padrão americano privilegia a alta definição e a interatividade.
- Defendemos um padrão de transmissão que permita aos brasileiros assistir, gratuitamente, a uma programação com a melhor qualidade de imagem e som possíveis, em dispositivos pessoais, como celulares, ou em receptores de TV móveis - afirma o diretor da Central Globo de Engenharia, Fernando Bittencourt.
Nesse modelo, a transmissão de imagens para o telefone celular não tem que passar pela linha telefônica. Assim, as operadoras do segmento não podem cobrar pelo serviço.
Outros fatores determinantes são as contrapartidas oferecidas por cada padrão. Tanto japoneses quanto europeus se comprometeram a estudar a viabilidade de instalar no país uma fábrica de semicondutores. Os japoneses deram também isenção total do pagamento de royalties, enquanto os europeus prometeram reinvesti-los no Brasil.
Legislação abre espaço para briga por novos canais
Concessão de TV será alvo de disputa
Marcela Canavarro
O iminente fim da briga em torno do padrão nacional para a TV digital não significa o desfecho do conflito de interesses. A próxima etapa promete ser tão ou mais dura: a regulamentação, que terá que ser adaptada para abrigar os novos parâmetros que a digitalização introduzirá no aparelho eletrônico mais difundido no Brasil.
Enquanto países como Estados Unidos, Índia e Japão, além de União Européia, definiram um marco regulatório antes de começar a implementar a tecnologia, o Brasil já marcou data para a completa digitalização das maiores emissoras do país: 7 de setembro de 2006. Para o passo inicial, a atual legislação não deve ser um entrave. As etapas seguintes, no entanto, precisarão de pelo menos algumas adaptações.
Por enquanto, é certeza que as emissoras terão que transmitir durante um período de transição, que deve durar de 10 a 15 anos, tanto o sinal digital quanto o analógico. O chamado simulcasting não é previsto na legislação atual. Existe ainda a possibilidade de um triplecasting, com a transmissão concomitante da mesma programação em definição padrão e alta definição, ambas digitais, além do sinal analógico.
Outro ponto que deve gerar confusão é a maior oferta de canais, caso efetivamente ocorra.
- Se cada canal transmitir a mesma programação, não deve haver grandes empecilhos. O órgão competente deve regulamentar para não gerar uma insegurança jurídica - afirma o advogado especializado em Telecomunicações, José Leça.
A incerteza surge porque a lei foi criada em condições tecnológicas distintas, quando a faixa de 6 MHz utilizada no espectro por cada emissora abrigava apenas um canal. Com isso, o texto da lei de concessões utiliza o termo ""canal"". Para Leça, há espaço para interpretação dúbia da legislação.
- Não está definido se a existência de mais canais no mesmo espectro caracterizaria usar mais de um canal.
Caso os possíveis novos canais sejam ocupados por novos atores no cenário da radiodifusão brasileira, as regras atuais podem continuar valendo. Mas se as atuais emissoras dispuserem dos novos canais, será necessária uma revisão ou reinterpretação da lei.
O relatório técnico do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) recomenda a criação de regras para os serviços que se integram ao contexto da TV, além de metas de cobertura geográfica e de número de domicílios que desfrutarão da tecnologia, prazo para a devolução das freqüências analógicas e obrigações técnicas de conteúdo e horas mínimas de transmissão.
Modelo de negócios desafia regulação
Os pontos críticos na discussão deverão ser as regras para a concessão de freqüências e para a interconexão de redes, concessionárias de radiodifusão, prestadoras de serviços de telecomunicações e provedores de serviços de valor adicionado.
- A urgência da mudança não é só em função da TV digital. A situação que já está complexa vai se agravar. Estamos lidando com algumas leis diferentes, de épocas distintas, e o avanço tecnológico não pára - avalia a advogada especialista em radiodifusão Regina Ribeiro do Valle.
Para ela, o esvaziamento das agências reguladoras deixou o governo sem pessoal técnico para embasar as decisões. O professor de Direito Empresarial e Administração Pública da FGV e do Ibmec, Surinam Junior, é da mesma opinião:
- A Agência Nacional de Telecomunicações é o órgão técnico competente para regular a questão e deveria ser ouvido. Sem definição exata do papel de cada ator envolvido, o regulador tem uma autonomia apenas no discurso mas a isenção técnica fica abafada pelas pressões externas e de mercado.
A Anatel é responsável apenas pela administração do espectro e elaborou o plano de distribuição de canais por cidades, divulgado em junho de 2005.
A situação é ainda mais delicada quando se trata de uma tecnologia com tamanho poder de influência - a televisão está presente em 98% dos lares brasileiros e é o principal meio de informação em boa parte deles.
Além disso, as possibilidades da TV digital são objeto de cobiça das operadoras de telefonia. De uma forma ou de outra, as teles devem abocanhar uma fatia do novo negócio. Mesmo que percam a briga na transmissão móvel, as cifras geradas pela interatividade não serão pequenas. A TV digital abre caminho para níveis complexos de comunicação com o usuário, caso seja adotado um canal de retorno - pelo qual o telespectador se comunica com a emissora.
O modelo de negócios pode concentrar esta ferramenta nas mãos das empresas de telefonia.
- A lei do Brasil diferencia radiodifusão e telecomunicações por motivos históricos, mas este modelo já está encontrando problemas no contexto da convergência e temos que definir como as empresas de diferentes setores vão interagir. É um caminho sem volta. Resta saber o preço que será pago - afirma o advogado especializado em Telecomunicações, Fabio Kujawski.
Informação: Aesp/ Jornal do Brasil Economia
A diferença entre os três padrões de TV digital
Aescolha do padrão de TV digital para o Brasil passa por três padrões: o americano ATSC, o europeu DVB e o japonês ISDB. Todos os três vêm sendo exaustivamente estudados e debatidos há anos por diversos especialistas.
O ATSC (Advanced Television Systems Comittee), além de uma entidade de normatização de TV digital nos EUA, também é um padrão com um tubo de alta capacidade de transmissão (19Mbps, ou megabits por segundo) e que suporta HDTV (TV de alta definição) e múltiplos programas de televisão com definição comum (SDTV).
Já o DVB (Digital Video Broadcasting) europeu já está consolidado em quase 60 países. Ele tem a versão terrestre (DVB-T), a versão a cabo (DVB-C) e a versão móvel (DVB-H, para handhelds). Na prática, Brasil já usa o DVB-C (a cabo) nas televisões por assinatura. O middleware (software que conecta aplicações diferentes) desse padrão também é usado (adaptado) pelos padrões americano e japonês. A versão móvel, compatível com o DVB terrestre, já está sendo testada em vários países, em experimentos conduzidos por gigantes como Nokia e outras empresas.
Padrão japonês aprendeu com os concorrentes
Segundo representantes do padrão japonês ISDB (Integrated Services Digital Broadcasting), a experiência japonesa com a tecnologia de TV digital levou algumas vantagens por ser mais recente e ter suas especificações trabalhadas pensando nas tecnologias já existentes, o que aumentou sua interoperabilidade com as demais plataformas.
O padrão teria a chamada “comunalidade” com padrões internacionais, e seria mais portável, móvel, com uso eficaz do espectro. Apresenta tanto propriedades HDTV (TV em alta definição) quanto multi-SDTV (TV comum).
Os novos televisores que chegam ao mercado já buscam, pelo menos, estar prontos para a televisão de alta definição. Mas o futuro aponta também para uma relação mais interativa entre a televisão e o usuário (não mais um telespectador, apenas) e para a mobilidade, cada vez mais presente.
Informação: Abert/ O Globo - Informática etc
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